OLIVIA
Os últimos três meses tinham sido… Eu nem sabia como descrever. Silenciosos não era a palavra certa, talvez solitários fosse mais adequado, pois levou um tempo para nos acostumarmos a estar sozinhos, apenas nós. Afinal, desde o casamento, nunca tínhamos ficado sozinhos de verdade, uma vez que Nick e Ethan viviam circulando pela casa e Lupita também estava sempre presente.
Mas, nos últimos três meses, nenhum deles esteve por perto. Lupita cumpriu a palavra e se manteve distante, sem sequer fazer uma ligação, e essa ausência me pesava, porque eu sentia falta dela a cada dia. Quanto a Nick e Ethan, nas duas primeiras semanas eles ainda vinham, estacionavam os carros do lado de fora do portão e ficavam lá por horas, de modo que eu quase cedi algumas vezes, mas Marcus me impediu e, com o tempo, eles pararam de aparecer.
Havia momentos em que eu me questionava se eles estavam bem, porém, ao mesmo tempo, a paz que eu vivia era tão rara que eu não me autorizava a me preocupar. Era como se, pela primeira vez, eu pudesse respirar livremente em minha casa e, justamente por isso, entendia o verdadeiro sentido de tranquilidade.
Eu nunca havia sentido antes o que era ser uma mulher casada vivendo somente com o marido. Meu pai, ao manter distância e nos dar a oportunidade de consolidar os laços como família, contribuía para que essa experiência fosse ainda mais especial, e eu a desfrutava com verdadeira alegria.
— Amor, vamos nos atrasar se não sairmos agora.
Estávamos levando Samuel à última sessão de terapia e, depois, iríamos comemorar, porque meu filho e eu tínhamos percorrido um longo caminho e eu me orgulhava em dizer que estávamos bem, muito melhor do que antes: sem pesadelos, com menos lembranças do passado e bem mais felizes.
— Certo, estou pronta, vamos. — Saímos de casa e seguimos para a terapia. Depois que terminamos, fomos ao restaurante que Marcus havia reservado e, quando chegamos, vimos Nick e Ethan já lá dentro.
Eles pareciam estar bem, embora talvez fosse apenas impressão, já que não os via há algum tempo. Samuel, por sua vez, ficou radiante ao rever o pai, especialmente porque havíamos explicado que ele estava em uma viagem de negócios e retornaria em breve.
— Como está a terapia? — Perguntei, sem saber se era apropriado.
Eu nem sabia que estariam ali, mas, dado que os três meses haviam terminado, não foi surpresa encontrá-los.
— Está me ajudando mais do que eu esperava, e, de modo geral, anda sendo uma experiência boa. — Respondeu Ethan, enquanto Nick se ocupava com o filho, sem nos dar atenção. Ainda assim, não me preocupei, pois estava claro que eles estavam felizes por finalmente se reencontrarem.
Foi então que, durante nosso pedido, uma mulher se aproximou da mesa, e Ethan levantou-se sorrindo ao vê-la, deixando-me surpresa.
— Pessoal, quero apresentar minha namorada, Ema. Esta é Olivia, minha amiga, e o marido dela, Marcus. Estas são as crianças. Aquele é meu filho Samuel, de quem já falei, e a princesinha é Lilly. —
Ethan realizou as apresentações, e logo percebi que Ema parecia ser uma pessoa agradável.
— Oi, Em. — Cumprimentou Nick com naturalidade, o que deixava claro que já se conheciam.
— Sra. Walker, é um prazer conhecê-la. — Apesar da timidez que aparentava, eu mantinha minha desconfiança graças à experiência. Jennifer dava sinais semelhantes e, ao final, percebi que deixara passar muita coisa, algo que não repetiria, pois a experiência me ensinara a agir com cuidado…
Foi nesse instante que Ethan se inclinou e sussurrou:
Lancei um olhar fulminante para Ethan. "Com que direito ele me colocava como obstáculo? Eu nunca havia pedido para ele não namorar, nunca havia interferido na vida dele… O que ele pretendia com aquilo? Queria que eu aprovasse ou reprovasse como desculpa para terminar?"
A situação era confusa demais, e, para não ter que adivinhar, levantei-me.
— Ethan, precisamos ter uma conversa. — Dirigi-me à varanda e fiquei do lado de fora, quando, em seguida, ele me alcançou. — O que foi aquilo? — Perguntei.
Ele suspirou.
— Eu gosto dela e quero ficar com ela…
— E o que isso tem a ver comigo? — A pergunta o fez hesitar.
— Peço sua aprovação não por ainda sentir algo por você, pois isso já estou resolvendo. Quero estar com Ema e tenho sentimentos por ela... Preciso da sua aprovação porque, quando nosso relacionamento se tornar sério, quero poder passar tempo com ela e com Samuel, o que não conseguirei se você não concordar.
Então era sobre Samuel.
— Você, Ethan, sabe melhor do que qualquer um pelo que passei e o quanto confiar nos outros só trouxe problemas. Que fique com a sua mulher, tudo bem, mas momentos a sós com Samuel não acontecerão no momento, porque preciso conhecê-la e decidir se posso confiar nela. Meu filho acabou de terminar a terapia e não vou permitir que ele retroceda.

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