OLIVIA
Dia seis e ainda não havia ligação de Ethan. Eu achava que eles já teriam voltado, mas não tinham. Eu sentia tanta falta do meu filho que às vezes eu ouvia a voz dele, eu sorria e olhava… e não via nada. Eu ia ao quarto dele todas as manhãs, mas o cheiro dele começava a desaparecer.
Eu quis ligar tantas vezes para implorar que ele trouxesse meu filho de volta, mas eu me contive todas as vezes. Aquele homem fora meu alicerce quando eu não tinha nada, e eu o tratei como nada. Ele tinha o direito de estar com raiva e eu tinha que aguentar.
— Mãe! Mãe, nós chegamos!
Lá estava de novo, a voz dele. Eu estava enlouquecendo? Por que eu continuava ouvindo aquilo? Eu me levantei e fui até a janela, olhando para o quintal.
— Mãe, você está em casa!
Não, eu não estava ouvindo coisas.
Eu me apressei até a porta e, assim que a abri, meu filho estava ali. Quando me viu, um sorriso enorme se abriu no rosto dele. Eu me ajoelhei e o abracei. Eu sentia tanta falta dele.
— Senti sua falta, mãe.
Eu lacrimejei.
— Eu também senti sua falta, campeão. Você se divertiu?
Ele se soltou do abraço, o sorriso enorme no rosto.
— Mãe, nós nos divertimos muito, fizemos um monte de coisas e até fomos esquiar!
A empolgação na voz dele, o brilho nos olhos e o sorriso largo me diziam que ele tinha se divertido à beça. Não era de se estranhar que não quisesse voltar para casa. A viagem lhe fizera muito bem depois da última viagem que nós tivemos, que terminara em desastre.
— Fico feliz que tenha se divertido, meu amor.
Ele saiu correndo para o quarto da irmã. Eu fui atrás; ele foi até a cama dela.
— Ela está dormindo, eu trouxe uma boneca para ela.
Eu sorri. Lilly era pequena demais para brincar com uma boneca, mas o irmão a comprara para ela.
— Sim, você pode mostrar quando ela acordar. Vamos, eu quero ouvir tudo que você fez na viagem.
Saímos e descemos as escadas com ele me contando as aventuras que tivera com Ethan: esqui, acampamento, caça e brincadeiras. Eu não me lembrava da última vez em que meu filho ficara tão empolgado com alguma coisa. Não desde o incidente. Era bom vê-lo daquele jeito. Ethan estava sentado no sofá.
Eu hesitei, sem saber o que diria a ele e se eu estava pronta para encará-lo.
— Ethan.
Cumprimentei e fui me sentar no sofá.
— Eu não queria deixar meu filho. Parecia que não havia ninguém em casa.
— Não, eu estava aqui. Marcus foi para o escritório e Nick, acho. Meu pai voltou para o Refúgio de Verão, ele tinha algo urgente para resolver lá.
Ele murmurou um “hum”.
— Bem, eu só vim trazer o menino, estou indo embora.
— Como você está se sentindo agora que ele está em casa?
Eu lhe ofereci um sorriso. Eu estava feliz, eu sentia a falta dele.
— Eu estou feliz por ele estar de volta e desse jeito. Fazia tempo que eu não o via assim. Aquece meu coração vê-lo desse jeito. Acho que ele precisava das férias mais do que eu imaginava.
Marcus olhou para ele brincando com os brinquedos novos.
— A última viagem não foi exatamente agradável.
Eu assenti.
— Então, você e Ethan conversaram?
Eu já esperava por isso. Eu balancei a cabeça em negativa.
— Não, ele não estava interessado em falar. Eu acho que ele ainda está com raiva de tudo e acha que eu vou tirá-lo da vida de Samuel. Ele soou como se estivesse preparado para brigar comigo por causa disso.
Marcus suspirou.
— Mas ele não tem direito de brigar com você por nada, Samuel é seu filho e Nick é o pai dele. Nós sabemos o que ele fez e agradecemos, mas esse não é jeito de agir.
Ele não estava entendendo.
— Isso não é sobre brigar por guarda nem nada. Mesmo que fosse, eu perderia, porque eu transferi meus direitos parentais para ele. Eu não sabia por quanto tempo eu ia ficar na cadeia e eu queria que meu filho tivesse uma boa vida e ficasse longe de Nick. Por isso eu pedi que ele registrasse Samuel como filho dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vingança Após o Divorcio