ETHAN
Olivia e Marcus tinham ido embora. Eles me deixaram com a mesma raiva que eu carregara quando saí com Samuel, e todo o trabalho que eu fizera para tentar superar o que acontecera tinha ido pelo ralo. Eu perdera a mulher de quem gostava por causa deles. Nós acabáramos dizendo coisas que não poderíamos retirar por causa deles.
Porra! Eu dei um soco na janela e ela quebrou. O vidro cortou os meus nós dos dedos, mas aquela dor era melhor do que a que eu sentia no peito. Eu não achava que gostava tanto de Emily, mas parecia que sim. Eu saí de casa e dirigi até o lugar dela.
Naquele dia eu não conseguira dizer o que queria, eu estava puto e ela também. Chegara a hora de colocar para fora o que estava na minha cabeça, então talvez eu ficasse bem depois. Eu estacionei em frente ao prédio dela, logo atrás do carro dela.
Ela estava em casa, ótimo. Eu achava que não conseguiria voltar lá se ela não estivesse. Eu saí do carro e fui bater à porta. Ela abriu e eu a empurrei de lado, entrando. Eu não lhe dei chance de fechar a porta na minha cara nem de dizer algo que pudesse me irritar ainda mais.
— O que diabos você está fazendo aqui, Ethan, eu pensei…
— Cale a boca, cale a porra da boca e me escute. — Ela pareceu surpresa com o meu rompante, mas eu não me importei, era a minha vez de falar. Ela tinha dito tudo o que quisera naquele dia e me insultara o quanto quisera.
— Você me chamou de cachorro naquele dia. — Ela abriu a boca, mas eu levantei o indicador e mandei ela calar. — Você me chamou de submisso, controlado por Olivia.
Aquilo doeu e me deixou mais puto do que qualquer outra coisa.
— Quem diabos você acha que é para dizer essas coisas para mim? — O rosto dela mudou e eu vi que ela estava pronta para dizer outra maldade. — Se você ousar abrir essa sua boca e falar merda de novo, eu juro por tudo que é sagrado, eu vou lidar com você de maneiras como nunca lidaram com você. Vou mostrar o que um cachorro e um submisso podem fazer.
Eu fiz uma pausa. Dessa vez ela pareceu assustada, ótimo.
— Essa sua boca vai meter você numa merda daquelas um dia. — Eu dei uma risada baixa. Eu tinha certeza de que parecia um louco naquele ponto. — O que eu estou dizendo? Ela já meteu você numa merda, comigo.
Eu fechei a pouca distância entre nós. Ela recuou um passo e eu avancei outro, então segurei a mão dela para impedir que se movesse.
— Por que diabos você está correndo agora? Não foi você quem abriu essa boca grande e falou toda aquela merda? — Ela engoliu em seco. Ótimo, nós estávamos chegando a algum lugar.
— Eu gostava de você, mas você nem conseguiu me dar tempo para consertar as coisas. Você ficou tagarelando como um cachorro irritante em vez de confiar em mim para arrumar as coisas para nós. — Eu soltei a mão dela e me afastei um pouco, criando uma pequena distância entre nós.
— Você não é ninguém para nós, você não está no nosso nível, e confiar em você ia levar tempo, mas, uma vez dentro, seria para a vida toda. Você teria conseguido um sistema de apoio forte, amigos que iriam para a guerra por você e um homem que teria cruzado o mundo para fazer você feliz.
— Ethan…
— Eu disse para calar a porra da boca, eu não terminei de falar.
Ela deu um pequeno salto, porque a minha voz saiu alta demais.
— Eu estava ferida, Ethan. As coisas que ele disse e como a esposa dele agiu me machucaram. Ela parecia me odiar.
Eu ri. Que porra ela estava dizendo?
— Se eu me lembro bem, Nick fez exatamente a mesma coisa quando a conheceu pela primeira vez. Fez um monte de perguntas e não de um jeito legal. Por que você confiou em mim naquela vez e não quando nós conhecemos Olivia?
Ela franziu a testa.
— Olivia é diferente, você e Nick fizeram parecer que a aprovação dela era tudo para você. Eu soube, quando a conheci, que ela não gostou de mim. Qual era o sentido de eu confiar em você quando eu sabia que você ia me deixar de qualquer jeito, já que ela não gostou de mim?
Eu ri. Ri de verdade.
— Você é uma completa idiota.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vingança Após o Divorcio