Entrar Via

7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 119

POV Isadora

Eu me olhava no espelho e mal reconhecia a mulher que estava ali.

O vestido de noiva não era apenas um tecido costurado em linhas perfeitas, era quase uma armadura feita de seda, marfim e coragem. O corte delicado abraçava meu corpo com suavidade, a saia longa escorria pelo chão em ondas e, quando mexia levemente o quadril, parecia que eu carregava um pedaço de rio comigo.

O decote em V nas costas revelava a pele que tantas vezes eu escondi, e agora parecia me gritar em silêncio: “você não precisa mais se esconder”.

A maquiadora ajeitou o último traço de delineador e se afastou, satisfeita. O coque baixo já estava firme, preso por pequenas pérolas que brilhavam discretas.

Duas mechas soltas emolduravam meu rosto, lembrando que, por mais que tentassem me encaixotar em moldes, eu sempre teria um pedaço rebelde escapando.

Foi nesse instante que o celular vibrou. Meu coração deu um pulo. Peguei o aparelho, e a tela acesa quase me fez derrubar o buquê que ainda estava sobre a cadeira.

Meu livro. Ele tinha acabado de ser publicado.

“Disponível agora em todas as plataformas digitais.”

Eu pisquei várias vezes, como se precisasse confirmar que não estava sonhando.

Abri rápido o site da editora, e lá estava ele: a capa que tantas vezes revi, o título que tantas vezes duvidei, agora exposto para o mundo inteiro.

E as críticas já começavam a aparecer.

“Um relato cru e arrebatador.”

“Uma ficção que parece mais real do que qualquer biografia.”

“Dor, esperança e renascimento em cada linha.”

As palavras atravessaram meu peito como um trovão. Lembrei das noites em claro, das lágrimas que molhavam o teclado, das mãos tremendo enquanto eu transformava minha dor em frases. E agora… agora o mundo leria. O mundo saberia.

— Você está pronta, Isa? — ouvi a voz de Olivia atrás de mim.

Me virei devagar, ainda segurando o celular. Os olhos dela brilharam quando me viu, e percebi que não era apenas por causa do vestido. Era porque ela sabia de tudo. De cada queda, de cada pedaço meu que sangrou para chegar até aqui.

— O livro… saiu hoje. — minha voz saiu baixa, quase trêmula.

Olivia abriu um sorriso emocionado.

— Então o mundo finalmente vai conhecer a sua força. É o presente perfeito para o seu casamento.

Assenti, mas meu coração se apertou. Força, sim. Mas também fraquezas. Cicatrizes. Segredos que poderiam ser usados contra mim.

Ainda assim, não era hora de recuar.

O carro seguiu em silêncio pelas ruas até o salão de festas.

Olivia entrou segurando meu buquê. As rosas brancas refletiam a luz do abajur, tão puras e delicadas que me deu medo de tocá-las.

— Está na hora, Isa.

Levantei devagar, o vestido deslizando atrás de mim como um rio em movimento. Peguei o buquê com firmeza, senti o frescor das flores contra meus dedos. E então olhei para o espelho uma última vez.

Não vi apenas uma noiva. Vi uma mulher que morreu tantas vezes e sempre renasceu. Vi cicatrizes, sim, mas também vi luz. Vi alguém inteira, feita de escombros e reconstruções.

Olivia ajeitou o véu sobre meu cabelo. O tecido leve caiu pelos meus ombros como uma névoa. Meu coração começou a martelar forte.

A música ecoou pelo salão. O som das cordas parecia atravessar minhas veias. Olivia me deu um sorriso cúmplice, quase um empurrão silencioso.

As portas se abriram.

O salão inteiro se virou. Eu estava no limiar. O ar parecia mais denso, cada passo mais pesado do que deveria. Mas não havia como voltar atrás.

Respirei fundo, firmei o buquê contra o peito, acariciei minha barriga e sorri.

E dei o primeiro passo para o corredor que me levaria até Dante.

Era a minha entrada.

Era o começo.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”