POV Isadora
As portas se abriram de vez, e por um instante tive a sensação de que o mundo inteiro respirava comigo. O salão, antes um murmúrio de vozes baixas, mergulhou em silêncio. Só a música enchia o espaço, cada nota como um sopro de coragem que me impulsionava adiante.
Segurei o buquê com mais força do que deveria. Meus dedos estavam frios, mas meu coração pulsava quente, descompassado. Os olhos se voltaram para mim, alguns curiosos, outros críticos, alguns até invejosos. Mas nada disso importava, não quando meu olhar encontrou o de Dante.
Ele estava ali, firme, esperando. Terno preto impecável, a gravata levemente desalinhada como se tivesse brigado com o espelho minutos antes. Mas era o olhar que me desarmava. Escuro, intenso, e ao mesmo tempo tão cheio de ternura que parecia impossível acreditar que um dia eu duvidei de merecer algo assim.
Cada passo que eu dava pelo corredor parecia ecoar dentro de mim. As flores brancas espalhadas pelo caminho exalavam perfume suave, misturado ao cheiro de madeira encerada e ao leve aroma de velas acesas. Eu podia ouvir o som do tecido do vestido deslizando, podia sentir a expectativa na respiração de cada convidado.
Olivia caminhava um pouco atrás, segurando a cauda do vestido com cuidado. Em determinado momento, sussurrou:
— Respira, Isa… só respira.
Mas eu mal lembrava como se fazia isso.
Meus olhos marejaram antes mesmo de chegar à metade do corredor. Uma lembrança me atingiu de repente: sete anos de casamento com Heitor, sete anos acreditando que eu nunca teria direito a esse instante. Quantas vezes me olhei no espelho de uma sala fria e pensei que seria invisível para sempre? Quantas vezes aceitei menos do que merecia?
E agora… agora cada passo era um grito silencioso de vitória.
Quando finalmente alcancei Dante, minhas mãos tremiam. Ele estendeu a dele, firme, quente, e por um instante achei que fosse cair ali mesmo. Ele sorriu, aquele sorriso torto que sempre parecia guardar algo só para mim, e sussurrou baixo, quase inaudível:
— Você está linda.
Eu mordi os lábios para não chorar. Ajeitei minha mão na dele, sentindo como se meu corpo inteiro tivesse encontrado abrigo.
O celebrante começou a falar, mas por alguns segundos as palavras se perderam no ar. Eu só conseguia ouvir a respiração de Dante, o bater do meu coração e o zumbido suave do mundo ao redor.
Quando finalmente foquei, ouvi o celebrante dizer:
— Hoje celebramos não apenas a união de duas pessoas, mas a escolha consciente de caminhar juntos, apesar de tudo.
Senti um arrepio percorrer minha espinha. A escolha. Essa palavra nunca soou tão poderosa. Porque eu já havia sido escolhida uma vez, e essa escolha me custou caro. Mas agora era diferente. Agora eu escolhia.
Os votos ainda viriam, mas naquele instante Dante apertou levemente minha mão. Um gesto pequeno, mas cheio de significado. Era como se dissesse: “eu sei, eu também estou aqui, não precisamos de palavras para entender”.
Porém, as palavras chegariam.
O celebrante pediu que Dante começasse.
— Prometo que nunca vou esquecer quem eu fui antes de você. Porque foi aquela mulher quebrada que te encontrou. Mas também prometo que vou caminhar ao seu lado para continuar sendo quem eu sou hoje: uma mulher inteira. E não porque você me completa, mas porque você me lembra, todos os dias, que eu já era inteira.
Dante fechou os olhos, como se cada palavra fosse uma lâmina cortando fundo.
— Eu te escolho, Dante. Todos os dias, em cada detalhe, até quando o mundo tentar nos separar. Eu te escolho.
O silêncio após meus votos foi tão denso que parecia palpável. O celebrante pigarreou, mas antes de prosseguir, Dante ergueu minha mão e a beijou. Não era parte do protocolo, mas ninguém ousou interromper.
A cerimônia seguiu. As alianças foram trazidas por Caio, que parecia emocionado demais para a idade. Ele entregou a caixinha com as mãos trêmulas, e Olivia segurava o celular, chorando tanto que a câmera balançava.
Dante colocou a aliança no meu dedo com cuidado, como se fosse cristal. Eu fiz o mesmo, e nesse momento percebi que o peso do ouro era leve comparado ao peso das promessas que carregávamos.
— Declaro vocês marido e mulher — disse o celebrante. — Podem se beijar.
Por um instante, o mundo inteiro parou. Dante se inclinou, e eu fechei os olhos. O beijo foi suave no início, quase tímido, mas logo se tornou profundo, como se dissesse tudo aquilo que as palavras não conseguiam.
Os aplausos ecoaram pelo salão. Mas para mim só existia ele.
Quando nos viramos para sair juntos pelo corredor, mãos dadas, o coração batendo forte, tive a sensação de que uma nova história começava ali. Não uma história perfeita, mas uma que eu mesma estava escrevendo, linha por linha.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”