POV Dante
O quarto estava em silêncio, mas minha mente era um campo de batalha. Isadora dormia ao meu lado, exausta, a respiração pesada marcada pelo último mês de gestação. Eu deveria estar em paz, mas não estava. Não conseguia.
O rosto dela ainda estava fresco na minha memória, os olhos marejados quando me contou sobre o noivado de Leyla e Heitor. Duas pessoas que, por si só, já eram uma ameaça. Juntas, eram dinamite.
Passei a mão pelos cabelos, andando em círculos pelo quarto. Eu sempre soube que Leyla escondia algo. Não era apenas intuição, era a maneira como ela olhava para Isa, como se estudasse cada gesto. Eu engoli minhas desconfianças para não parecer paranoico, mas agora… agora tudo fazia sentido.
— Maldita… — murmurei, socando a palma da mão contra a parede.
Isa se mexeu na cama, e eu congelei. Esperei alguns segundos até ouvir o ritmo lento da respiração dela se estabilizar de novo. Não podia acordá-la. Ela precisava descansar.
Olhei para minha mulher e senti um aperto no peito. Ela confiou em Leyla. Abriu o coração, compartilhou seus medos, acreditou que poderia reconstruir um pedaço da vida que os Montenegro destruíram. E, em troca, ganhou uma traição.
E Heitor… esse nome queimava minha garganta. O homem que a reduziu a nada por anos, que a jogou no chão e depois quis fazer dela um joguete. Agora surgia como se fosse um prêmio ao lado da “amiga” dela.
Passei as mãos no rosto, tentando conter a raiva. Não era só ciúmes. Era medo. Medo do impacto que isso teria em Isa. Ela já tinha passado por demais, e eu sabia o quanto custava a ela acreditar que era digna de amor, de confiança, de futuro.
Eles querem quebrá-la de novo, pensei, cerrando os punhos. Mas eu não vou deixar.
Sentei-me na poltrona perto da janela. A cidade brilhava lá fora, indiferente às guerras pessoais que aconteciam dentro dessa casa. E eu, por mais que tentasse esconder, sentia a pressão de carregar tudo nos ombros.
Meu pai sempre dizia que homens de verdade protegiam sua família. E eu… eu nunca me senti tão responsável por alguém quanto me sinto por Isa e por nossa filha que está prestes a nascer.
Eu podia perder tudo, empresa, nome, reputação, mas não podia perder as duas.
Fechei os olhos e imaginei Leyla sorrindo para os repórteres, alimentando a mídia com suas mentiras. Imaginei Heitor, com aquele olhar frio, acreditando que ainda poderia ter algum poder sobre Isa. A raiva me atravessou como uma lâmina.
Levantei-me de novo e fui até a sacada. O vento frio da noite bateu no meu rosto, trazendo um pouco de clareza. Eu sabia que precisava pensar racionalmente, não apenas reagir.
Me levantei, fui até a mesa e abri meu laptop. Comecei a escrever, anotar, pensar em cada detalhe. Pessoas de confiança que eu poderia chamar. Contatos na mídia que poderiam ser usados para inverter narrativas. Advogados.
Não seria apenas sobre amor. Seria sobre guerra.
Fechei os olhos por um instante e pensei na filha que estava por vir. Pequena, indefesa, mas já o centro do meu mundo. Ela merecia crescer sem o peso desses fantasmas, sem essa corrente de ódio que os Montenegro e suas aliadas despejavam em Isa.
— Eu vou proteger vocês duas — prometi, mais uma vez.
Quando voltei a deitar, já era madrugada. Isa se mexeu e instintivamente encaixou o corpo no meu peito. Eu a segurei, sentindo o calor dela, o coração batendo rápido contra o meu.
Ela não sabia o tamanho da guerra que estava para começar. Mas eu sabia.
E, desta vez, não deixaria que ela enfrentasse sozinha.

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