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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 133

POV Leyla

Eu sempre soube que esse dia chegaria. Não do jeito perfeito que imaginei quando era adolescente, desenhando corações no meu caderno com as iniciais “L + H”, mas do jeito que a vida gosta de brincar com os tolos que não sabem jogar.

Eu sei jogar. Eu sempre soube. E hoje, enquanto o mundo inteiro comenta a manchete que eu mesma ajudei a plantar, percebo que finalmente a mesa virou.

“Heitor Montenegro anuncia noivado com Leyla Torres, amiga de infância de Isadora Montenegro.”

A frase estampava todas as telas, como um grito de triunfo que ecoava até mesmo nas casas onde nunca se pronunciou meu nome. Eu não precisei postar nada, não precisei dar entrevista, não precisei me expor. Bastou uma semente bem lançada, regada pelo momento certo. A mídia fez o resto.

No espelho, encarei meu reflexo. Estava maquiada como se fosse para uma festa, embora ninguém tivesse me convidado para uma. Meu batom vermelho ainda intacto, meus cabelos soltos caindo como cascata. Eu me olhava e via uma rainha coroada pela própria audácia.

Heitor me odeia, claro. Eu vi o olhar dele quando percebeu que não fui eu quem revelou nada às escondidas, foi a própria mídia, “acidentalmente” informada por uma fonte anônima que, se investigassem, jamais chegaria a mim.

Ele me olhou como se eu tivesse rasgado sua pele com unhas afiadas. Mas eu não me importo. Porque, no fundo, ele sabe: se essa mentira se espalhou, não foi só pelo meu desejo. Foi pelo vazio que ele mesmo deixou.

E eu vou preencher esse vazio.

Lembro-me como se fosse ontem, quando ainda éramos apenas jovens tentando entender o mundo. Heitor era o centro de tudo, mesmo quando fingia não ser.

O sorriso dele, aquele sorriso fácil, de menino rico que sempre teve o que quis, me iluminava. E Isa, sempre ao meu lado, me contando seus segredos, dividindo comigo a vida como se fôssemos irmãs.

Ela não fazia ideia, claro. Não sabia que, cada vez que me contava sobre uma briga dela com Heitor, na epoca da faculdade, eu me alimentava disso. Eu esperava. Paciente. Silenciosa. Eu sonhava com o dia em que seria eu quem seguraria a mão dele, e não ela.

Foram tantos anos entrando naquela casa, sendo tratada como parte da família Montenegro sem realmente ser. Foram tantos jantares, tantas tardes de risadas na varanda, tantas noites em que eu ia embora desejando ser invisível só para permanecer e vê-lo dormir.

Heitor percebeu, oh, sim, ele sempre soube. E talvez por isso me evitasse. Ele sentia a intensidade, e os homens sempre temem aquilo que não conseguem controlar. Mas agora… agora ele não tem escolha.

O celular vibrou na mesa. Peguei-o com calma, sem pressa, como quem já sabia o que iria encontrar. Mensagens de conhecidos, colegas de infância, até alguns repórteres tentando confirmar. “É verdade? Você e Heitor estão noivos?”

Sorri. A resposta não precisava ser escrita. O silêncio é a confirmação mais poderosa que existe.

Célia me ligaria em breve, eu tinha certeza. Essa mulher não descansa. E, no fundo, eu precisava dela tanto quanto ela precisava de mim. Mas, por alguns minutos, eu quis ficar sozinha nesse triunfo. Quis sentir o gosto da vitória derreter na boca, doce e perigoso como veneno em forma de mel.

Sentei-me no sofá, cruzei as pernas e liguei a televisão. Lá estava eu. Bem, não eu fisicamente, mas o meu nome, a minha imagem, a minha história.

— Eu sei jogar, Célia — garanti. — E eu sei exatamente como manter isso.

Seus olhos brilharam, cúmplices. Pela primeira vez, percebi que estávamos realmente do mesmo lado. Ela queria derrubar Isadora por vingança, eu queria vencer Isadora por desejo. Diferentes motivos, mesmo objetivo.

***

De volta ao quarto, sozinha mais tarde, me permiti rir. Um riso baixo, quase insano, que ecoou pelas paredes silenciosas. Porque, pela primeira vez, eu não era apenas a amiga de infância, a sombra, a coadjuvante.

Eu era a noiva Montenegro.

E, mesmo que o mundo não saiba toda a verdade, eu sei que basta um rumor para transformar destino em realidade.

Heitor pode me odiar agora. Pode me enfrentar, pode gritar, pode jurar que jamais será meu. Mas quanto mais ele resistir, mais Isa vai sentir o peso. Porque ela sabe que fui eu quem a enganou. Fui eu quem se infiltrou. Fui eu quem sorriu, enquanto afiava a faca.

E eu ainda não terminei.

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