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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 140

POV Isadora

O sol da manhã atravessava a cortina fina da sala, mas parecia não aquecer nada dentro de mim. A noite tinha sido um caos. Minha filha chorava a cada duas horas, exigindo colo, carinho, leite, atenção, tudo ao mesmo tempo.

Eu a amava de uma forma que mal sabia colocar em palavras, mas meu corpo ainda doía, minha mente estava exausta e, por alguns instantes, tudo o que eu queria era dormir sem interrupções.

Dante havia tentado me aliviar, revezando as horas, embalando a pequena no colo forte que agora era o porto seguro de nós duas.

Ainda assim, eu sentia o peso da maternidade no peito, como se fosse feita de responsabilidade e medo. Era estranho: junto com a felicidade de tê-la, havia também um pânico constante de perder tudo.

Foi nesse estado de fragilidade que ouvi o som seco do celular vibrando sobre a mesa. Peguei sem pensar. Talvez fosse Olivia, talvez fosse minha editora. Mas não era nenhum desses.

A mensagem veio de um número desconhecido. Um arquivo de imagem.

Abri.

E quase deixei o aparelho cair das mãos.

Na tela, congelado em um clique rápido e maldito, estava meu irmão Lorenzo. Ao lado dele, sorrindo como se não houvesse mágoa no mundo, estava Elena.

Elena.

Meu coração disparou. A visão daquelas duas figuras juntas fez meu estômago revirar. Eu li e reli a foto, na esperança absurda de que fosse montagem, de que fosse um erro, de que fosse qualquer coisa além da verdade. Mas não.

O ar me faltou. Senti um suor frio escorrer pela nuca, minhas mãos tremeram.

“Como ele pôde?” pensei, com o coração latejando. “Como meu próprio irmão, que sabe de tudo que Elena fez comigo, pode estar ao lado dela? Rindo? Como se fossem cúmplices?”

As perguntas se multiplicavam na minha cabeça, cada uma mais cruel que a outra.

“Quando isso aconteceu?”

“Por quê?”

“Desde quando?”

“Será que eles nunca se afastaram de verdade?”

Eu fechei os olhos, mas a imagem continuava impressa dentro deles. Elena, aquela serpente, que roubou meus anos, minha paz, meu casamento. Lorenzo, o irmão que eu esperava que fosse escudo, e não faca.

Meus olhos se encheram de lágrimas, mas não eram de dor apenas. Era raiva. Uma raiva quente, sufocante.

— Isa? — Dante chamou, saindo do quarto com a bebê nos braços, a voz suave para não acordá-la. — Está tudo bem?

Eu escondi o celular na palma da mão, mas ele percebeu meu nervosismo. Seus olhos se estreitaram, analisando.

Levantei e comecei a andar de um lado para o outro no quarto, como um animal enjaulado. Minha filha chorou no berço, e Dante entrou para pegá-la de novo, mas eu mal ouvi. Minha mente estava em outra guerra.

“Como ele pôde me trair desse jeito? Como pôde se aproximar dela? Ele sabe quem ela é, o que fez, como me destruiu. Sabe de cada lágrima, cada humilhação. E mesmo assim… mesmo assim…”

A ideia de que Elena pudesse estar usando meu irmão como mais uma marionete me corroía. Ela sempre foi boa em manipular. Sempre soube se colocar como vítima, como coitada, para depois dar o bote. Mas Lorenzo? O meu irmão? Ele deveria ser mais forte do que isso.

De repente, senti algo se romper dentro de mim. A paciência, a compaixão, a crença de que ainda havia inocência no mundo. Peguei uma jaqueta no cabide e enfiei o celular no bolso.

— Isa, aonde você vai? — Dante perguntou, alarmado, segurando a bebê.

Virei-me, os olhos marejados de raiva.

— Resolver algo que já passou do limite.

Ele abriu a boca para insistir, mas a filha choramingou, e ele ficou dividido. Aproveitei o momento e saí, sem olhar para trás.

Enquanto caminhava até o carro, o frio da manhã cortando meu rosto, percebi que não era apenas Lorenzo quem eu ia enfrentar. Era a mim mesma. Era o fantasma do que eu sempre temi: que nunca estaria livre, que o passado sempre encontraria um jeito de me sufocar.

Mas uma coisa era certa. Eu não ia permitir que minha vida fosse destruída de novo. Não ia deixar Elena rir da minha cara outra vez.

E Lorenzo… ele teria que escolher.

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