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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 168

POV Isadora

A luz da manhã atravessava as cortinas do quarto do hotel, suave e dourada, mas nem mesmo o brilho tranquilo do sol conseguia apagar o nó que eu sentia no peito. Sofia dormia em seu bercinho portátil ao lado da cama, o rostinho sereno, as mãozinhas fechadas como se ainda segurasse um pedaço de sonho.

Eu observava minha filha e me perguntava como algo tão pequeno podia carregar tanta paz, enquanto eu, a mãe, parecia cada vez mais mergulhada no caos.

— Você ainda está pensando nisso, não é? — A voz de Dante me tirou dos pensamentos. Ele estava encostado na parede, já pronto para sair, o terno escuro impecável e o cabelo ainda úmido do banho.

Suspirei. — Eu não quero voltar pra lá, Dante.

Ele me olhou com calma, mas nos olhos havia aquela firmeza inabalável que eu já conhecia.

— Isa, a mansão é o único lugar seguro pra vocês duas agora.

— Seguro pra quem? — perguntei, cruzando os braços. — Pra você continuar trabalhando até tarde e eu continuar fingindo que aquela casa não me sufoca?

— Você sabe que não é isso. — Ele se aproximou devagar, a voz baixa, controlada. — Depois do que aconteceu, eu não posso correr riscos. A imprensa, os negócios, minha mãe, meu pai… Tudo está de olho em nós. Lá, pelo menos, há segurança, há estrutura.

— Estrutura. — Repeti a palavra como se fosse amarga. — Você fala como se eu fosse um projeto a ser administrado.

Ele passou a mão pelo rosto, tentando manter a paciência.

— Não é sobre controle, Isa. É sobre proteção.

Por um momento, fiquei em silêncio. O som suave da respiração de Sofia enchia o espaço, como se ela, sem querer, tentasse nos lembrar do que realmente importava.

— Eu só quero paz. — murmurei. — E não sei se consigo encontrar isso naquele lugar.

Dante se abaixou, encostando a testa na minha. — Então eu vou te ajudar a encontrar, mesmo que seja dentro da mansão.

Antes que eu pudesse responder, o celular vibrou na cômoda. A tela iluminou o nome: Beatriz – Editora Vertigem.

Meu coração disparou.

Atendi. — Bia?

— Isa! — A voz dela era animada, acolhedora. — Eu estava prestes a mandar um e-mail, mas resolvi arriscar a ligação. Como você está, mãe de primeira viagem?

Sorri, um pouco nervosa.

— Sobrevivendo. Dormindo pouco, mas sobrevivendo.

Ela riu.

— Imagino. Escuta, estou te ligando porque precisamos conversar. A editora está empolgada com o desempenho do seu último livro. As vendas dispararam, e o público está pedindo mais.

— Mais? — Repeti, sem esconder o espanto.

— Sim. E, claro, queremos que você volte a trabalhar, se estiver pronta, é claro.

Meu olhar foi direto para Sofia. Ela se mexeu no berço, emitindo um sonzinho baixo, e depois voltou a dormir.

— Acho que estou, sim. — Falei, depois de alguns segundos.

— Ótimo! — Bia respondeu, animada. — Então faz assim: amanhã às dez, aqui na Vertigem. Temos uma proposta pra te apresentar, e acho que vai gostar.

Combinamos os detalhes, e eu desliguei.

Dante, que tinha acompanhado tudo em silêncio, ergueu uma sobrancelha. — Então, de volta ao trabalho?

Assenti, ainda com o coração acelerado. — Acho que sim.

— O próprio! Ele voltou pro país há alguns meses, está cheio de projetos e sugeriu essa parceria. Disse que adoraria trabalhar com você novamente.

Meu coração deu um salto confuso entre surpresa e desconforto. Raul. O mesmo Raul que me ensinou a amar poesia, que acreditava no meu talento quando ninguém acreditava e que também foi meu primeiro amor.

O mesmo Raul que, um dia, me deixou sem explicação, quando decidiu que a carreira vinha antes de nós.

— Eu… não sabia que ele estava de volta. — murmurei.

— Pois é. — Bia cruzou as pernas, animada. — E o mais interessante é que ele não só está de volta, como quer esse livro pra ontem.

Tentei disfarçar o turbilhão interno. — E vocês acham mesmo que isso é uma boa ideia? Quero dizer… faz tanto tempo.

— Justamente por isso. — Ela sorriu. — O público adora reencontros. Dois autores com uma história real por trás… Isso tem marketing natural. Além disso, Raul falou muito bem de você. Disse que ninguém escreve emoção como a Isa Montenegro.

O nome Montenegro ecoou dentro de mim como um lembrete incômodo da vida que eu vivia agora, da família que carregava, das feridas que ainda cicatrizavam.

Beatriz me observava com atenção. — Então? O que me diz?

Demorei um instante para responder. Por dentro, mil memórias se misturavam: a Isadora da faculdade, sonhadora, apaixonada, livre e a Isadora de agora, mãe, esposa, tentando se reencontrar no meio de tanta responsabilidade.

Talvez essa fosse a chance de me redescobrir.

— Eu topo. Mas avisa que agora é Harrison. Isadora Ferraz Harrison. — Falei, enfim.

Bia abriu um sorriso enorme. — Sabia que diria isso! Maravilha! E pode deixar!

Ela começou a falar sobre prazos, cronogramas, contratos. Eu, no entanto, mal consegui prestar atenção.

Tudo o que conseguia pensar era: Raul está de volta.

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