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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 38

POV Isadora Ferraz

Fiquei no sofá do Dante, com o notebook apoiado nas pernas. O sol entrava preguiçoso pelas janelas enormes, iluminando a sala cheia de livros, plantas e silêncios.

Dante andava pela cozinha, preparando café, mexendo em papéis. Eu tentava focar no texto, mas o celular vibrava como uma cobra prestes a dar o bote.

Vibração. Outra. Mais uma.

Peguei o aparelho.

Heitor (14 mensagens não lidas):

"Onde você está?"

"Onde dormiu?"

"Não me faça te procurar."

"Eu vou acabar com a tua carreira."

"Você acha que vai me humilhar?"

"Responde, porra!"

"Eu sei onde você trabalha."

"Eu sei com quem você está."

"Você é uma vergonha."

"Sua vadia ingrata."

"Volta pra casa AGORA"

"Não me faz te buscar à força."

O estômago virou. O corpo inteiro gelou. Dante apareceu na sala, segurando uma caneca. Parou ao me ver, os olhos afundando em preocupação.

— Isa?

Respirei fundo, larguei o celular no sofá como se fosse veneno.

— Ele não para. — murmurei, a voz falhando. — Parece que eu tô sendo seguida até pelo ar.

Dante se aproximou, abaixou, pegou o celular. Leu algumas mensagens, o maxilar dele travou. O peito subia e descia como um touro pronto pra ataque.

— Ele vai te destruir emocionalmente antes de fazer qualquer outra coisa. — a voz dele saiu baixa, controlada, mas tinha um fogo por baixo, como se cada palavra fosse cuspida em brasa. — Você precisa cortar isso.

— Não é tão simples. — falei, apertando o notebook no colo. — Ele vai atrás de todo mundo. Ele ameaça a Olivia, ameaça qualquer um.

Dante respirou fundo, fechou os olhos por um segundo. Quando abriu, os olhos dele queimavam.

— Então a gente vai virar o jogo.

Antes que eu pudesse responder, ele pegou meu celular. Foi até a cozinha. Voltou com ele na mão, colocou ao meu lado.

— Nunca fui! Você me quebrou, me apagou! E agora quer cobrar presença? — Cuspi as palavras, o peito arfando. — Você nunca me quis de verdade! Nunca me ouviu, nunca me respeitou!

A porta bateu outra vez. Elena entrou. Os olhos arregalados, os cabelos despenteados, a voz tremendo de ódio.

— PARA! — ela gritou. — Você não tem o direito de cobrar nada dela!

Heitor virou pra ela, a respiração pesada.

— Não se mete, Elena.

— EU VOU ME METER SIM! — Ela avançou, apontando o dedo na cara dele. — Eu sou a única que devia estar aqui! Eu estou grávida de você! EU! Não ela!

O silêncio explodiu no quarto. Ele olhou pra ela como se visse um inseto.

— Grávida? — Ele riu, um riso podre. — Você acha que isso te dá algum valor?

Elena empalideceu. As lágrimas brotaram, mas ela manteve a cabeça erguida.

— Eu te amei... — Ela sussurrou, a voz rasgando. — Eu te dei tudo. E você... você só quer ela. Mesmo odiando.

Heitor desviou o olhar pra mim.

— Isso aqui não acabou, Isadora. — Ele cuspiu, os olhos queimando. — Isso nunca vai acabar.

— Não — eu disse, sentindo a voz firme, fria. — Já acabou faz tempo. Você só não percebeu.

Ele respirou fundo, tremeu. Então, com um empurrão brusco, saiu do quarto, batendo a porta com tanta força que as paredes tremeram. Elena ficou parada, destruída, as mãos sobre a barriga. Eu olhei pra ela. O ódio, a dor, a pena... tudo misturado. Ela me olhou de volta. E, por um segundo, éramos só duas mulheres despedaçadas pelo mesmo homem.

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