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A Ascensão da Menina Indesejada romance Capítulo 317

Dois dias depois, a questão finalmente chegou ao fim.

Eloise admitiu ter incriminado Kurtis e até contratado um assassino para encobrir seus crimes.

O caso foi direto para Arthur. Com todas as testemunhas e provas em mãos, Leonard foi condenado à morte, com a execução marcada para o outono.

Mas, antes que a sentença fosse cumprida, Leonard tirou a própria vida, esfacelando a cabeça contra a parede da cela.

Quanto a Eloise, ela também recebeu a pena capital.

Armar contra um general reverenciado era crime passível de morte. Nenhum pedido de clemência seria aceito.

A reviravolta súbita na condenação de Kurtis pegou todos de surpresa.

O alvoroço foi imediato.

Athena não conseguia entender por que Leonard havia se matado antes mesmo de o veredito ser anunciado.

“Por que ele precisou morrer justamente agora? O que estava tentando esconder?”, perguntou-se Athena.

Parecia que apenas Eloise conhecia o restante da história.

Quando Athena chegou, encontrou Eloise encolhida no canto, olhando para o teto com o olhar vazio.

Em seus tempos de riqueza e privilégios, Eloise era minuciosa com roupas e joias. Um mínimo incômodo no tecido já bastava para fazê-la reclamar sem parar.

Agora, porém, vestia apenas as roupas ásperas de uma condenada, à espera da execução.

Era uma virada cruel do destino.

O som de passos trouxe Eloise de volta à realidade. Seu rosto se iluminou quando mirou, ansiosa, a porta da cela e gritou: “Willow, é você? Willow?”

Eloise correu até as grades, mas, ao ver quem estava do lado de fora, o sorriso congelou no rosto.

“O que você está fazendo aqui?”, cuspiu Eloise, com a voz impregnada de desdém.

Em vez de Willow, a pessoa que ela mais ansiava ver, era Athena quem aparecia.

Athena não deixou de notar a decepção nos olhos de Eloise enquanto o carcereiro destrancava a porta para deixá-la entrar.

Trina vinha logo atrás de Athena, carregando uma marmita.

Assim que entrou, Trina abriu com cuidado a cesta e foi dispondo cada prato sobre a mesinha.

Eloise cravou em Athena um olhar de puro ódio. “Veio fazer o quê? Se deleitar com a minha queda?”

Dizem que as palavras de quem está prestes a morrer costumam ser benevolentes.

Mas Athena não viu benevolência alguma em Eloise — só ódio puro, sem disfarces.

Ela enfim largara a máscara. Aquela era a Eloise de verdade, não a que fazia pose de coitadinha e fingia sinceridade.

Athena lançou um olhar em volta da cela. O chão era coberto de palha. Não havia sequer um cobertor ou enxoval.

O corpo de Eloise estava salpicado de hematomas, o cabelo emaranhado, o rosto manchado de sujeira.

Athena soltou uma risada amarga. “Eu só não entendo. Por que você me odeia tanto? Se não me queria, por que se deu ao trabalho de me pôr no mundo?”

O aroma convidativo da comida se espalhava pelo ar. Faminta, Eloise agarrou um garfo e começou a devorar o que via pela frente, sem pausa.

Entre uma garfada e outra, Eloise zombou, a voz escorrendo desprezo: “Sem motivo. Eu simplesmente detesto você. Só isso.”

Ela falava sem um pingo de remorso, como se Athena não passasse de um bibelô sem valor.

Se não a queria, bastava descartá-la.

Athena pensou, amarga: “Seria mentira dizer que eu não fiquei despedaçada. Que filha aguenta ser odiada assim pela própria mãe?”

Um amargor subiu à garganta de Athena; o peito doía tanto que o ar lhe faltou por um instante.

Ela respirou fundo algumas vezes, pegou a jarra de vinho e serviu uma dose para Eloise. “Quaisquer que sejam seus motivos para me odiar, já não me importam. Vou acompanhar você nessa reta final e, depois, que o passado descanse.”

Athena pensou: “A morte apaga tudo. Quando alguém se vai, as mágoas e os rancores se extinguem, como uma lâmpada que se apaga de uma vez.”

Eloise parou no meio da mastigação. Quando ergueu o rosto para Athena, os olhos estavam marejados, prestes a transbordar.

Mas durou só um instante e se desfez.

Ela abaixou a cabeça e voltou a devorar a comida, voraz, como se apenas entupindo o estômago vazio pudesse encontrar um segundo de alívio.

Athena limitou-se a observá-la em silêncio, o olhar indecifrável.

Pensou: “Para falar a verdade, nem sei se a odeio ou não.

Sinto apenas que é meu dever acompanhá-la até o fim.”

“Lady Athena”, disse Gwen com um sorriso caloroso, “Sua Senhoria pediu que eu a esperasse aqui.”

Athena arregalou os olhos, surpresa. “A vovó sabia mesmo que eu viria?”

Gwen riu, conduzindo Athena para dentro. “Sabia, sim.”

Assim que entraram no aposento, Gwen se retirou.

Lá dentro, Margaret permanecia sentada, tranquila, em sua poltrona.

Naquele dia, havia algo de deslocado nela. Vestira-se, inesperadamente, com trajes cerimoniais completos, e trazia na cabeça o cocar oficial de uma dama nobre.

Athena a fitou, espantada. Margaret apenas sorriu e a chamou com um gesto suave: “Venha, Athena.”

Talvez fosse a iluminação, mas Athena notou que o rosto de Margaret parecia um pouco lívido.

Absorvida pelos próprios pensamentos, Athena não se deteve nisso e sentou-se à direita dela.

Ela olhou para Margaret e, num sussurro intrigado, perguntou: “Vovó, a senhora tem algo a me dizer?”

Margaret assentiu, o semblante complexo enquanto encarava Athena, como se quisesse gravar para sempre aqueles traços na memória.

Athena sentou-se direitinha. Vendo-a tensa, Margaret forçou um sorriso pálido e disse, suavemente: “Athena, você deve estar se perguntando como soube que viria, não?”

“Sim”, respondeu Athena, com um aceno discreto.

“Athena, você também já se perguntou por que Eloise sempre a tratou com tanta crueldade?”

“Vovó, por favor, me esclareça.”

Margaret fitou Athena longamente, a expressão impenetrável, antes de enfim dizer: “Na verdade, você tem uma tia.”

Os olhos de Athena se arregalaram, atônitos. “Mas por que o vovô nunca falou dela?”

Margaret ergueu um pouco a mão, pedindo silêncio. Engolindo todas as perguntas que queimavam na ponta da língua, Athena limitou-se a ouvi-la com paciência.

Margaret disse: “O General Perkins teve duas filhas. Sua tia, Vania Perkins, era irmã gêmea de Eloise. Ela e meu filho cresceram juntos e, depois de casados, foram felizes como poucos. Naquela época, seu pai era apenas um filho sem prestígio na família, mandado para ser criado em Nexalásia.”

Enquanto ouvia, Athena sentiu que tudo, de repente, se encaixava.

As imagens soltas se alinharam, formando um quadro coeso. A verdade estava ao alcance da mão.

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