— Qual o veneno usado? — Aayush perguntou.
Eu? Nem sabia mais o que perguntar. A falta de comida, água e sono pela qual meu corpo passou pareceu se manifestar exatamente naquele momento.
— Ela foi envenenada com Escopolamina. Solicitei uma Spectrometria de massa, que é um método avançado para detectar substâncias específicas no organismo. Essa substância não aparece em hemogramas comuns ou mesmo exames de rotina do pré-natal. Acontece que a Fê já estava tendo sintomas há muito tempo, levando em conta o teste e estágio do veneno. Suas médicas, assim como você, são incompetentes e inúteis, Enzo. E puseram a vida de uma mulher grávida em risco. Se eu tivesse sido o ginecologista dela, saberia desde o início que os sintomas não eram normais.
— E... a minha filha? — perguntei com a voz baixa, quase inaudível, como se a minha garganta estivesse se fechando.
— Na medicina, a escopolamina em doses terapêuticas é usada para tratar cólicas e não é classificada como um abortivo direto. Ao que me parece, o assassino que você abriga na sua casa, sabia exatamente o que queria: incapacitar a mãe, mas manter o herdeiro vivo, ajustando a dose para que atingisse a mente, mas não fosse letal para o corpo. Não houve uma superdosagem, o que comprometeria muito Maria Fernanda e atingiria diretamente o bebê. Como eu disse, foi dado em doses homeopáticas.
— Então... Mary ficará bem? Ela não foi atingida?
— A escopolamina atravessa sim a barreira placentária, o que significa que Mary recebeu parte da substância. No entanto, é considerado um medicamento de categoria B, com baixo risco relativo. Em doses baixas e controladas, a escopolamina geralmente não causa malformação ou aborto. E como vimos, o bebê está relativamente bem. Mas foi sorte, porque o feto está sendo envenenada desde o primeiro trimestre de gravidez, que é a fase de formação dos órgãos. Se houvesse superdosagem, Maria Fernanda poderia ter convulsões ou parada cardíaca. E o bebê não resistiria.
Senti a mão de Aayush sobre meu ombro. E acho que aquilo foi o que me manteve de pé. Talvez fosse o que mais se aproximava do que ele identificou como “amigo”.

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