O Diwali, chamado de "Festival das Luzes", era uma das celebrações mais importantes, vibrantes e sagradas do hinduísmo, celebrada também por jainistas, siquistas e alguns budistas. O festival simbolizava a vitória da luz sobre as trevas, do bem sobre o mal, e do conhecimento sobre a ignorância.
Participamos da festa em outubro, durante a noite mais escura do mês hindu. Durava cinco dias o Diwali.
Ele simbolizava o retorno do Rei Rama, que após 14 anos de exílio, voltou e derrotou o demônio Ravana. Eu cresci vendo o filme “A princesinha”, onde Sarah contava a história para as meninas do orfanato.
“Toda menina é uma princesa”, dizia Sarah. Sorri, olhando a minha volta, e me sentindo uma princesa de verdade. Eu tinha o meu príncipe, meu anão e minha anãzinha. Eu fui brindada com o meu “felizes para sempre”.
O Diwali era considerado um período de renovação, de limpeza espiritual, novos começos e esperança.
Embora tivesse quase o mesmo significado espiritual do Holi, a festa era diferente.
Conhecemos as diyas, que eram pequenas lamparinas de barro que eram acesas em fileiras em janelas, portas e templos. Estavam ali para espantar as trevas.
Quando eu fechava os olhos, conseguia ver Aayush contando como era aquela festa. E eu imaginando como seria.
Enfim... eu estava lá, com a minha família, vivendo um Diwali. E sabia que tinha a obrigação de aproveitar cada minuto, pois Aayush deu a sua vida pela nossa, para que pudéssemos usufruir daquele momento.
As crianças ficaram encantadas com os fogos de artifício em forma de estrelas, simbolizando a alegria e a celebração da vitória.
O primeiro dia era focado na limpeza e compras. Era considerado auspicioso comprar ouro, prata e utensílios domésticos.
Mary quase nos levou a falência. Era exagerada como o pai. Davi, por sua vez, era como eu, mais discreto. Levou uma única coisa: um bracelete cravejado de diamantes.
— Você acha bonito, mamãe? — perguntou meu homenzinho.
Sim, ele já estava um homenzinho: gentil, educado, carinhoso e ciumento. Excessivamente ciumento. Acho que era o sangue Asheton falando mais alto.
Pobre Mary quando crescesse, tendo um pai e um irmão possessivos e ciumentos.
— Achei lindo, meu amor. É para mim?
— Não. É para a minha namorada Dakota.
Lá estava eu, mais uma vez, sendo “usada” em detrimento de outra mulher. Eu ri. Não, não era nada parecido ao que aconteceu no passado.
Preferi pensar que tudo não passava de uma fase, que já durava uns quatro anos. E que Davi em breve esqueceria aquela ideia fixa de se casar com a prima.
No segundo dia, comemoramos a vitória de Krishna sobre o demônio Narakasura. Tomamos banhos de óleo antes do amanhecer.
Aliás, eu já disse que Enzo acordava todos os dias às 5 horas da manhã para fazer meditação?
A parte boa é que a meditação era real e não imaginária. Eu via, com meus próprios olhos.
Na sequência de dias, compramos roupas novas e acendemos inúmeras diyas e compartilhamos doces e presentes. Soubemos que aquele dia celebrava o amor entre marido e mulher. Enzo e eu transamos numa ruela próxima do rio Ganges. Escolhemos um lugar que não tinha diyas acesas.
O último dia era ainda mais mágico, dedicado ao amor entre irmãos, onde oravam pela vida longa e prosperidade uns dos outros. Orei e agradeci por Will. Meu irmão era uma dádiva na minha vida. Fiquem em dúvida se Enzo agradeceu por Zadock. Mas eu esperava que sim.
Davi e Mary eram uma dupla perfeita. E chorei quando os vi, andando à nossa frente, carregando as lanternas de fogo que encerrariam a festa.
Era a noite mais importante, a de fazermos nossos pedidos.
— O que você vai pedir, princesinha? — Enzo perguntou a Mary.
— Ouro. — ela sorriu, enquanto observava sua lanterna iluminava levantando voo.
Um pedido inusitado. Mas não vindo da filha de Enzo Asheton.
— E você, Davi? — Eu quis saber, curiosa.
— Vou pedir para Dakota nunca me trair. Eu não quero ter galhos na cabeça, como Michael.
Enzo me olhou e abriu a boca para falar algo, mas cobri seus lábios com um beijo breve.
— Ele é só um menino. Deixei-o fazer seu pedido. — sussurrei em seu ouvido.
— Mas... vai que dê certo.
— Pense pelo lado positivo, Enzo. Se os pedidos realmente se realizarem, nosso filho nunca será corno.
— Mas ele pensa realmente em casar-se com Dakota. E se o “qadar” conspirar a favor disso?
— O pedido dele foi não ser traído. Dakota é só o nome que ele usou, porque botou na cabeça que ela será sua esposa. Os dois ainda são crianças. Isso não vai acontecer, Enzo. Eles são primos.
— Teoricamente, meio-primos — Davi, esperto, ouviu parte da nossa conversa — já que papai e o tio Zadock são meio-irmão.
— Não existe “meio-primos”, Davi. — Enzo explicou.

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