— Sei o quanto isso é importante. A única coisa que não entendo é por que você passou quase um ano num retiro espiritual e fala sobre perdão, sendo que quase tentou expulsar o garoto zumbi da casa.
— Se me chamarem de novo de garoto zumbi, eu vou processá-los. — Michael fez questão de dizer.
Olhei para o bolo no chão, espatifado. Encarei minha doce esposa:
— O que houve com o bolo?
— Eu... deixei cair quando vi você.
Tentei não agarrá-la e fodê-la ali mesmo. Mas acho que meus olhos expressaram o que a boca não disse.
— Se fosse em outros tempos, eu teria mandado trazerem mil bolos perfeitos para compensar esse que você derrubou. Mas hoje... eu entendo que não é sobre ter um bolo. E sim sobre você fazê-lo, demonstrando o amor que tem pela nossa filha.
— E sobre o Michael? — Will, o valente, se intrometeu do nada. — o que você aprendeu sobre isso?
— Oi, Will — cumprimentei educadamente.
E sim, eu tinha sentido saudade até daquele ser insignificante e esquisito. Saudade pouca, claro.
Olhei para o garoto zumbi:
— Aprendi a ser grato por tudo de bom que alguém fez para mim um dia — sim, eu tinha que dizer, embora o gosto fosse um pouco amargo, estranho — obrigado por ter salvado a vida da minha Maçãzinha e da minha Mary. Eu duvido que algum médico teria sido tão competente quanto você naquela sala de cirurgia, Michael.
O garoto zumbi abriu a boca para dizer algo, que não saiu.
— Ok, agora é a minha vez — Zadock manifestou-se — vai me pedir perdão também?
— Você que tem que me pedir perdão.
— Você precisa me pedir perdão por ter tentado me matar várias vezes.
— Nesse caso, não se aplica o meu pedido de perdão. Com você exercerei a prática de perdoar. Me peça perdão por ter tirado a minha herança, ter conspirado contra mim a vida toda e eu te perdoarei.
O silêncio se fez. E, sinceramente, não achei que tivesse sido tão constrangedor.
Zadock levantou e veio na minha direção. Parou na minha frente e ficou me encarando.

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