Lembrei do que Aayush havia dito, que era perceptível o quanto ela gostava de mim.
— Olhe nos meus olhos e diga que não gosta de mim.
— Eu não gosto de você. — disse com todas as letras, olhando nos meus olhos.
Caralho, me senti péssimo.
— Sou o pai do seu filho.
— Isso não me obriga a gostar de você.
— O que eu preciso fazer para você gostar de mim?
— Além de existir? — ela riu e depois meneou a cabeça, atordoada — você precisa me deixar livre. Eu não quero ficar presa aqui.
— Só poderá sair quando provar a sua inocência.
— Eu não tenho que provar a minha inocência. Você que tem que provar a minha culpa.
— O que aconteceu com Davi foi bem grave.
— Exatamente. E você está deixando livre as pessoas que realmente o machucaram. E que machucaram a mim. E foi a Shirley.
— Você tem ciúme dela e quer que eu a mande embora.
— Eu quero que você se livre da pessoa que machucou o Davi.
— Como você caiu da escada? — soltei os braços dela, mas continuei no mesmo lugar, mantendo-a junto do meu corpo.
Maria Fernanda ficou com a respiração mais acelerada e fechou os olhos e percebi uma maldita lágrima nascendo sob os cílios e fazendo uma trilha úmida na sua bochecha.
Saí de cima dela e me deitei, puxando-a para mim num abraço:
— O que aconteceu? Por que está chorando, porra?
— Eu... não gosto de lembrar daquele dia. Foi... horrível.
— Ainda assim, eu gostaria de saber como você foi parar no outro andar.
Ela abriu os olhos e disse:
— Eu cheguei a pensar... que fui empurrada. Mas... não tenho certeza. Então não quero acusar ninguém injustamente.
— Mas acusa Shirley de ter causado o acidente de Davi.
— Porque isso eu tenho quase certeza.
— Ele se barbeou por você, não por ela.
— Está dizendo que o fato de o seu filho gostar de mim, torna-me culpada? Você é simplesmente repugnante.
Maria Fernanda me afastou com força e se levantou da cama:
— Quero o meu celular que você confiscou.
— Eu te dou. — levantei o aparelho — em troca você vai ligar para o seu irmão e o seu pai e dizer que fará uma viagem de lua de mel.
— Para onde iremos? — ela arqueou uma sobrancelha.
Ela deu de ombros:
— Valoriza-se a interdependência, forte vínculo emocional e parceria para a vida.
— Ninguém precisa de um irmão para o resto da vida.
— Como o seu, com certeza não. Saiba que na Índia, assim como na minha casa, a família é baseada em hierarquias, onde a relação envolve apoio mútuo, com irmãos mais velhos frequentemente assumindo papel de mentores e cuidadores.
— Tenho pena do Will se você é a mentora da família.
— Por quê?
— Porque só ensina porcarias, como engravidar de propósito e tentar machucar garotinhos indefesos para se apoderar de heranças.
— Você é desprezível. — ela disse, entredentes, furiosa.
— Pelo menos ainda não me odeia. — sorri.
— Eu te...
Não a deixei terminar. A beijei. Caralho, eu não aguentava mais ficar longe dela, sem sentir seu gosto.
Maria Fernanda passou os braços em torno do meu pescoço. Nossas línguas se encontraram e o mundo todo parou. Ela era a gasolina que fazia com que eu me movesse. O ar que fazia meus pulmões funcionarem. O sangue que corria nas minhas veias.
Sentir seu gosto, sua língua na minha, era a cura para todos os meus males.
Maçãzinha passou os dedos pelos meus cabelos, fazendo-me gemer. Peguei seu rosto com minhas mãos, como se ela pudesse se afastar a qualquer momento e me matar de saudade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...