— Eu, Enzo Asheton, recebo a ti, Maçãzinha, como minha legítima esposa pela segunda vez. Sorte que você não assinou o divórcio. Prometo ser fiel, já que meu pau não levanta para nenhuma outra mulher a não se você.
Maçãzinha arregalou os olhos. Eu só estava dizendo verdades. Aprendia na minha jornada espiritual na Índia que não era certo mentir.
— Amar-te, mesmo que me dê Zolpidem para dormir. Respeitar-se, exceto quando olhar para outro homem. Na alegria, que são os momentos que passamos com nossos filhos, na tristeza, que é quando estou longe de você. Na saúde, sendo que, infelizmente, contamos com um ginecologista particular que trata toda a família.
Reconheci o pigarro inconveniente do garoto zumbi.
— Prometo te apoiar nas nossas doenças de cunho psicológico, garantindo psiquiatras e terapeutas imaginários. Na riqueza, na pobreza, todos os dias da nossa vida, até que a morte nos separe. Mas hoje, graças ao nosso grande amigo Aayush, eu entendo que a morte não é o fim. Então, sei que nos encontraremos ainda por muitas e muitas vidas, meu amor.
Eu não esperava que o local ficasse no mais absoluto silêncio. Por que os pássaros pararam de cantar?
Eu não precisava dar uma aliança para Maria Fernanda. Ela já tinha um símbolo tatuado no dele anelar: uma lua e duas estrelas.
Segundo Maria Fernanda, eu era muito mais que uma estrela. Eu era uma constelação. A parte boa é que ela não precisou apagar a tatuagem por completo, como o garoto zumbi precisou fazer.
Ah, ela trazia no outro dedo anelar o anel que lhe dei no dia em que parti para a Índia, a fim de me encontrar espiritualmente. Segundo Maçãzinha, era pesado demais.
— Eu, Maçãzinha Asheton — risos — recebo a ti, Enzo Asheton, meu boy Redbull, como meu legítimo esposo, mesmo depois de ter me obrigado a assinar um contrato de casamento em que eu não sabia o teor. Prometo ser fiel... ou nem tanto, pois tem príncipe o qual eu também sou apaixonada — olhou para Davi, que fez aquela tentativa fofa e frustrada de piscar um olho — amar-te, mesmo em suas loucuras. Respeitar-te, desde que me respeite. Na alegria, que são todos os momentos que estamos juntos. Na tristeza, que são os momentos que estamos longe. Aliás, eu ainda estou tentando te perdoar por ter ficado meses longe de mim, fazendo-me conhecer o que era tristeza no sentido literal.
Ela respirou fundo, nervosa, parecendo querer buscar ar:
— Prometo te amar em cada uma das suas versões, Enzo Asheton, com todas as suas imperfeições. Você realmente foi como uma droga na minha vida: causou dependência, ansiedade, sensação de alívio temporário e danos a longo prazo. E adivinha? Eu quero me drogar a cada dia da minha vida.
Dessa vez não ouvimos nem o som de respirações. O mundo, literalmente, parou. Ao menos para mim. Aquela mulher valeu cada milhão que eu perdi.
Ela olhou para o garoto zumbi:
— Obrigada por me dispensar naquela noite, Michael — sorriu — eu conheci o amor da minha vida menos de uma hora depois.
Meu coração acelerou e tive medo de infartar. Comecei a fazer meus exercícios de respiração.
Eu não precisava de anel. Carregaria ela no meu dedo eternamente, naquela tatuagem que doeu o cacete.
O beijou aconteceu de novo. Mais forte, mais intenso, só nosso. Encontrei sua língua macia e convidativa e descobri, mais uma vez, que eu poderia morrer ali, com a minha Maçãzinha enroscada em mim. Ao lado dela, tudo tinha outro sabor. E valia a pena.
— Eu tinha pensado em Forget about me, do Simple Minds, para encerrar o nosso casamento. Amo o final do Clube dos Cinco — Maçãzinha disse enquanto a música de fundo começava — Mas Bitter Sweet Symphony, de The Verve, combina mais com o nosso final.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO