POV Maria Fernanda
Eu sonhei muito tempo em conhecer um Holi. O festival das cores na Índia era comemorado em março, celebrando o fim do inverno e início da primavera. O significado era muito maior: o triunfo do bem sobre o mal.
A lenda indiana que escolhi para contar aos meus filhos foi a história de Prahlad e Holika, que explicava como o rei demônio, Hiranyakashipu, queria ser adorado como um deus. Seu filho, Prahlad, era um devoto de Vishnu, desafiando o pai. O rei tentou matar Prahlad várias vezes, culminando em um plano onde a tia de Prahlad, Holika, que era imune ao fogo, sentou-se em uma fogueira com o menino. O triunfo do bem foi como Prahlad saiu ileso devido à sua fé, enquanto Holika foi consumida pelo fogo. Isso simbolizava a vitória da fé e da devoção, da arrogância e do mal.
Claro que lembrei do meu menino e da forma como a própria mãe usou-o em suas ambições, atentando contra vida dele. Na nossa história, assim como na de Prahlad, o bem tinha vencido o mal.
Isso graças a um indiano o qual lembrávamos todos os dias, sendo gratos em cada um deles, Aayush.
O Holi, na verdade, era uma celebração de igualdade. Durante o evento, as distinções sociais, de idade, de gênero e de casta desapareciam. Todos se misturam e se tornavam iguais sob as camadas de cores, promovendo a união e a fraternidade.
A alegria do povo era contagiante. Era um dia de liberdade, música, dança e brincadeiras nas ruas. As pessoas nos desejavam "Happy Holi" enquanto todos nos pintávamos com o pó colorido.
O festival durou dois dias. Na primeira, fogueiras foram acesas para simbolizar a queima da maldade e a vitória do bem. Ali tínhamos a proteção divina, tudo que queríamos para nossos filhos, Davi e Mary.
No dia seguinte, o das cores, era o clímax da festa. Pela manhã saímos às ruas com pós coloridos. Mary achou divertido falar o nome dos pós, “gulal”.
O gulal estava na água, nos balões de água e nas pistolas de água para brincadeiras nas ruas. Valia jogar gulal em amigos, familiares e estranhos.

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