Um mês depois
Se há alguns anos atrás dissessem que eu me casaria, certamente chamaria a pessoa de louca. As mulheres que eu conheci na vida eram os piores seres que poderiam existir.
Até que aquela mulher apareceu na minha vida, sentada no bar de uma boate com a luz oscilante e o sistema em pane.
Maria Fernanda foi a pane no meu sistema inteiro. E, por mais que eu tentasse acreditar que foi só uma foda perfeita, sabia que não era. Maçãzinha era inexperiente e ficou muito mais hábil depois, o que me fez apaixonar-me ainda mais.
Foi Kismat causado pelo karma. Eu nunca acreditei em destino. Mas estar ali, esperando no altar por aquela mulher, não tinha outra explicação a não ser aquela: kismat.
Achei que seríamos eu e Davi a vida inteira. Mas agora éramos quatro. E jamais imaginei que eu conseguiria distribuir amor a tantas pessoas. Mas eu tinha de sobra. Maçãzinha, Davi e Mary eram o meu mundo inteiro.
Olhei ao redor e meus olhos encontraram os de Zadock, sentado na primeira fileira. Ele esboçou um meio sorriso que só eu vi. Sarcástico, óbvio. Pelo menos a minha noiva aceitou casar comigo e não foi obrigada a isso. Quer dizer... ao menos na segunda vez. Na primeira ela não teve escolha.
Mas nós, Asheton, éramos assim. Amávamos incondicionalmente. E não costumávamos pedir. Tomávamos o que era nosso. E não importava o preço que fôssemos pagar.
Maçãzinha não me custou nada caro. Tirando o fato de que ela comia feito um elefante, não dava maiores despesas. Não se importava com roupas caras, calçados, bolsas. Tudo com que ela se preocupava era a refeição do dia seguinte... se seria a vez do saudável ou da comida trash.
Temi que meus filhos pudessem virar dependentes de fast-food. Mas não. Minha esposa aprendeu que tudo na vida devia ser dosado. Exceto o amor.
Quando a vi vindo na minha direção, andando pelo corredor coberto de flores coloridas acompanhada por Will, senti meu coração acelerar.
Sim, eu ainda ficava extremamente nervoso na presença dela. Maçãzinha mexia com cada célula do meu corpo.
Mary usava um vestido rosa claro, com tantas camadas que parecia que iria se desequilibrar de tanto pano que havia ali. Ela andava à frente da mãe, sorrindo. Mas os olhos azuis feito um oceano em pleno sol do meio-dia estavam voltados para mim.
Segundo Maçãzinha, nossa filha estava na fase em que o grande amor de sua vida era o pai.
Bem, eu pretendia que continuasse assim. Era melhor eu ser o eterno amor dela. Ou... cabeças rolariam. E iriam para a coleção chamada “todos os garotos que se aproximaram da minha filha.”
O vestido da mulher da minha vida tinha sido desenhado e costurado por Will, o sonhador. Maçãzinha fez aquilo porque sabia que o casamento seria notícia e desejava promover o irmão.
Acho que daria certo. Eu nunca vi uma mulher tão linda e bem-vestida na vida. O vestido era branco tradicional. Mas o modelo... caralho! Branca de Neve. Eu não tive dúvidas.
A gola era alta, em evidência. Uma fita branca de cetim enfeitava seus cabelos negros. Eu sempre a achei linda. Mas jamais passou pela minha cabeça que Maçãzinha pudesse ficar... ainda mais perfeita.
Mas era ela. A minha esposa. A perfeição em pessoa. A razão da minha loucura. A razão das tantas pessoas que eu matei. E dos lugares que explodi.
A porra do buquê de samambaias não era imaginário. E, eu não entendi o porque daquela escolha. Samambaias realmente eram estranhas. Mas não nas mãos dela. Pensei no lado positivo: não havia um cachorro. Ele seguida sendo imaginário.
Éramos estranhos. Estranhos pra caralho! Mas quem não era?
Minha esposa foi envenenada por meses e não morreu. Eu morei um ano na Índia, longe dela e dos meus filhos e não morri. Ou seja, éramos fortes.
Se eu me arrependi de ficar aquele tempo longe deles? Não, não me arrependi. Embora a saudade tivesse me torturado a cada dia, eu tinha amadurecido. E ao final, entendi que era impossível matar o velho Enzo, porque assim como o novo, ambos faziam parte de mim. Eram indissociáveis. E ela se apaixonou pelos dois.
Davi esperava a mãe exatamente na metade do trajeto. Claro que ele não renunciaria ao momento de trazê-la para mim.
Meu menino estava crescendo. E, ele sempre foi um ser incrível, mas conforme o tempo passava, ficava ainda mais perfeito. Empático, gentil, tagarela e cheio de amor para compartilhar.
Se alguém olhasse para Davi, jamais imaginaria o quanto aquele garoto era forte. E o tanto de coisas pelas quais passou.
Detalhe: o terapeuta dele não era imaginário. E o psiquiatra não receitou remédios. Ambos trabalhavam com Davi a superação dos traumas.
Como eu disse, ele era forte, um verdadeiro Asheton, que não importava pelo que passasse, sempre superaria as dificuldades. E quanto mais tentassem foder com a vida dele, mais força ganhava.
Éramos iguais, não só na aparência, mas em tudo o mais.

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