— E eu não consigo viver sem você. Por isso me mantive o mais próximo que consegui... sempre, mesmo prometendo que ficaria afastado o tempo que me pediu.
— Todo mundo que nos fez mal se foi. A gente... tem direito a um final feliz.
Enzo deu um passo para trás e abaixou a cabeça:
— Eu vou viajar. Por... um bom tempo.
Meneei a cabeça, atordoada:
— Como assim? Você quer dizer que “nós” iremos viajar? Todos juntos?
— Preciso desse tempo, Maçãzinha. Eu tenho que me encontrar. Eu preciso fazer a passagem do Enzo antigo para o Enzo novo. Nada me dói mais do que ter que deixá-la. Mas eu preciso. E acredite, tomei essa decisão porque te amo.
Limpei as lágrimas:
— Vai deixar a Mary, seu filho da puta?
Ele riu, pondo as mãos no bolso:
— Não vou ficar longe para sempre.
— E a sua filha?
— Ligarei por vídeo chamada todos os dias. E verei vocês duas.
— Você... vai levar o Davi?
— Sim.
Não me contive e acabei com a distância entre nós. Comecei a bater em seu peito, com os punhos fechados:
— Você não tem esse direito, Enzo... não tem. Não pode abandonar eu e Mary. Você é um bom pai, lembra? Eu sempre te admirei por isso. Agora simplesmente decide ir embora e me deixar? E ainda... levar o Davi, afastando-o de mim?
Enzo pegou-me pelos pulsos. Eu já não tinha mais lágrimas para derramar, dor para sentir. Eu não aceitava aquele fim.
— Não é um adeus. É um até logo.
— Não... você não pode.
— Prometa que vai me esperar.
— Não, eu não vou te esperar. Vou transar com o primeiro homem que aparecer na minha frente. — ameacei.
— Não... não vai. Eu sei que você não gosta de violência. E se ousar fazer isso, pessoas vão morrer. Especialmente as que ousarem tocar na minha esposa.
— Vou assinar o divórcio. Os papéis estão há meses na minha gaveta.
Enzo meneou a cabeça:
— Assine. Esse casamento não foi consensual.
Avancei nele:
— Eu te odeio!
— E eu te amo. E é exatamente por isso que estou te deixando por alguns meses.
— Vou te odiar para sempre. — voltei a golpeá-lo no peito, inconformada.
Enzo pegou minha mão e magicamente pôs um anel no meu dedo.
Fiquei estática, olhando aquela porra que brilhava mais que o sol do meio-dia.
— Esse sim é um pedido de casamento. — sorriu.
— Você está louco? É isso? Está me deixando a me pede em casamento? Seu doente, paranoico.

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