POV ENZO
Eu já lido a respeito do lugar para onde eu iria. O destino escolhido foi principalmente por causa do meu único amigo, Aayush. Isso porque, encontrar a mim mesmo, era resgatar o que ele viu em mim, quando decidiu deixar Zadock e me seguir.
Aayush sempre foi centrado, calmo e autossuficiente. Eu até achava que ele não comia, não bebia e nem fodia. Levando em conta que comia e bebia... talvez fodesse vez ou outra. Eu só ficava puto quando lembrava que ele cogitou comer a minha Maçãzinha.
Eu desejava uma imersão profunda. Me autodescobrir. Me controlar.
A ideia inicial era levar Davi comigo. Afinal, nunca ficamos separados, desde que ele nasceu.
Então percebi que aquela era uma escolha minha, uma jornada minha. E não dele. Era injusto tirá-lo de seu mundinho, da escola, da mãe, e da irmãzinha que acabara de nascer, o qual já era tão ligado.
Meu filho descobria o que era ter uma mãe. E, embora estivesse adaptado, eu sabia que ainda tinham muitas coisas que ele e Maria Fernanda precisavam fazer juntos. Seria uma autodescoberta também para eles.
Claro que deixei que meu filho escolhesse ir ou ficar. Ele disse que escolhia ficar porque eu era só um e do lado de lá três: a mamãe, a irmão e o tio.
Se eu sentiria saudade? Na verdade, senti no momento em que decidi partir. Mas, no meu interior, eu sabia que era necessário. Eu precisava uma forma de me punir pelo tanto que fiz minha mulher sofrer. Sim, eu só me perdoaria se sentisse o que ela sentiu, a dor que lhe causei.
O Phool Chatti era um Ashram de mais de 100 anos, localizado nas aforas de Rishkesh. Afastado da civilização, o lugar era rodeado por natureza, e as margens do rio Ganges.
Eu nunca tinha parado para observar os sons da natureza. Aliás, eu nunca cogitei que ela tivesse som. Mas ali, eu conseguia ouvir a sinfonia das águas bravas do Ganges, acompanhada pelo canto dos pássaros e de algumas cigarras.
Nunca passou pela minha cabeça que eu poderia um dia sentar-me no chão e ficar horas desfocando dos problemas, do passado, do presente... sentindo somente a paz, a qual eu tentava, desesperadamente, buscar.
No primeiro mês passei naquele Ashram de quartos simples, com vista para o rio Ganges e para as montanhas, achei que poderia me comunicar com Maçãzinha, Mary e Davi todos os dias. Mas percebi que não dava.
O sinal de internet só pegava em alguns pontos. E depois de um tempo, mesmo que a saudade me matasse, percebi que precisava sentir aquilo... a dor, o sofrimento... saber que eles estavam lá. E eu ali, porque fui um filho da puta egoísta e impulsivo e prepotente.
O dia no Ashram começava cedo e era bem ocupado com aulas de yoga, meditação, técnicas de respiração e cantorias de mantras hindus.

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