POV Enzo
Explicar? Existia explicação para o garoto zumbi estar na porta da casa?
— Venha! — Maria Fernanda puxou-me pela gola da camisa, uma parte que eu fiquei em dúvida sobre cortar ou não, pois não lembrava com exatidão do tal Ronald Miller, já que fiquei um bom tempo sem conseguir acessar telas.
Quando fiquei frente a frente com garoto zumbi, nos encaramos demoradamente.
— Achei que você voltou cedo demais. — ele provocou.
— Pelo visto, tarde demais. — esbravejei, temendo o motivo pelo qual ele estava ali.
Quando vi a prima prostituta de Maria Fernanda fiquei confuso. Olhei para o garoto zumbi e depois para minha Maçãzinha, esperando explicações.
— Você não me deixou te explicar, meu amor. O garoto zumbi...
— Garoto zumbi? — o garoto zumbi reclamou — desde quando você me chama assim, Fê? — pareceu decepcionado.
— Eu disse “garoto zumbi”? — ela franziu a testa — saiu sem querer. — me olhou de novo — Michael e Letícia... estão juntos.
— Juntos no mesmo ambiente? — questionei.
— Juntos... um casal. — a mulher que traía o namorado em estacionamentos tentou explicar.
Respirei fundo. Nos meses que estive fora aprendi que as coisas sempre aconteciam do jeito que tinham que ser. Cada um com seu karma.
— No meu retiro espiritual entendi que não podemos julgar os outros. — falei de forma calma, pondo os exercícios de respiração em dia — portanto, não julgo o fato de você se orgulhar dos seus chifres, garoto zumbi.
Todos ficaram em silêncio. O que eu falei de errado?
— Você tem chifres, Michael? — Davi perguntou — onde estão? Eu posso usar também?
— São imaginários, meu filho. Como o cachorro e a samambaia imaginárias da sua mamãe.
— E tão imaginários quanto o psiquiatra do seu pai. — Michael tentou ser ofensivo.
— Você não terá chifres, meu filho — expliquei para Davi — nem reais, nem imaginários. Dakota nunca vai te trair.
Davi sorriu, satisfeito.
Maria Fernanda respirou fundo e abaixou a cabeça, abstendo-se de comentar.

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