POV Maria Fernanda
Preferi uma festa simples, exatamente do nosso jeitinho. Eu não me importei que o CEO das armas estaria presente. E sabia que Caliana não me julgaria. Um dia ela também foi uma pessoa normal, que não se preocupava com dinheiro e tudo que ele trazia, tanto de bem, quanto de mal.
Tentei fazer o bolo com minhas próprias mãos. Óbvio que não deu certo. Ficou torto e com um aspecto tão horrível que nem eu me atreveria a comer.
Mas serviria perfeitamente para botar uma vela em cima e cantar o parabéns.
Will veio do quarto, com Mary vestida de princesa. Mas não era uma princesa qualquer. Era a nossa Branca de Neve.
Davi se vestiu de príncipe. A pequena Dakota era a nossa Cinderela. Eu não consegui identificar muito bem do que Travis estava vestido. Mas me passou pela cabeça que pudesse ser uma cópia do CEO das armas, o homem que nem era tão grande para fazer o espaço da casa parecer pequeno.
Se eu não conhecesse Zadock, o julgaria um arrogante, prepotente. Mas daí observava o sorriso e carinho com o qual tratava sua esposa e filhos que fazia meu coração derreter.
Quando viu o bolo, Anthony correu, com seus passos como os do Bambi quando aprendeu a andar. E óbvio que deu com a cara no chão, fazendo Letícia levantar de forma abrupta da cadeira, batendo em Travis que estava próximo, a sinfonia de choros começando.
Fiquei parada, com a torta literalmente torta nas mãos, vendo todo o caos instaurado.
Respirei fundo e olhei brevemente pela janela. Foi quando meu coração disparou e fiquei sem ar. A torta caiu da minha mão. Os choros pararam, de forma automática.
Foi como se meu coração voltasse a bater depois de tanto tempo. O sangue voltou a circular nas minhas veias. E o mundo inteiro voltou a ter cor.
Ele não usava terno. Vinha de tênis, vestia uma bermuda marrom, camisa branca, rasgada na altura dos ombros, as mangas propositalmente retiras, o peito levemente em evidência.
Ronald Miller. Enzo Asheton. Meu crush de adolescência e o amor da minha vida numa só pessoa.
E o filho da puta tinha um buquê de flores na mão.
Nossos olhos se encontraram. E ele parou.
Foi como se tudo que vivemos voltasse como um flashback, o primeiro encontro, a notícia da gravidez, a piscina, o boneco, Davi, a visita no meu quarto de funcionária, a nudez na sacada, nossas mãos entrelaças à frente da incubadora, o funeral na Índia. E o dia em que ele partiu.
Embora com as pernas trêmulas, eu consegui ir em direção à porta. Enzo seguia imóvel. Não era mais um encontro de corpos. Eu sabia que era um encontro de almas.
Esperava, do fundo do meu coração, que em sua jornada de encontro a si mesmo, Enzo tivesse entendido, na Índia, que certamente éramos a reencarnação de um casal que se amou intensamente, eternamente... a ponto de voltar a sua jornada para se encontrarem novamente.
Saí correndo, mal sentindo as minhas pernas. Ele abriu os braços. E me joguei nele. Minhas pernas engancharam em seus quadris. E eu o beijei, sentindo o gosto das minhas próprias lágrimas misturando-se a nossa saliva.
Minha língua adentrou na sua boca, desesperada, procurando pela dele. Nos abraçávamos apertado, a ponto de quase não conseguirmos respirar.
O beijo não foi eterno. E embora tivéssemos nos beijado até o ar sumir dos nossos pulmões, ainda assim pareceu pouco.
Ficamos ali, abraçados, sem dizermos nada. Não precisava palavras naquele momento. Só sentimentos.
O cheiro dele estava diferente. O perfume era mais leve, refrescante. Os cabelos estavam levemente crescidos e a barba, embora bem aparada, lhe dava uma aparência mais madura.
— Como você conseguiu ficar ainda mais lindo? — dei beijos repetidos em sua bochecha, sentindo a barba me pinicar — minha ilusão de ótica. Meu amor.
— Só tenho uma coisa para te dizer... — ele sorriu — 5201314.
Limpei as lágrimas e pedi:
— Pode falar... sem números? Eu preciso ouvir. Preciso, desesperadamente, ouvir.
— Eu te amo. E vou te amar para sempre.
— Por 520 vezes?
— É pouco 520. Te amarei 5201314 dias no ano.
— Tem tudo isso de dias no ano? Não é... 365?

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