Enquanto eu saía da farmácia, ansiosa e com mil coisas na cabeça, passava pelo estacionamento quando vi um carro parado, com os faróis ligados. E dentro dele... um casal se beijando.
Suspirei. Poderia ser eu... e Enzo. Mas não era. Aquilo jamais aconteceria na minha vida. Motivo um: ele não transaria comigo dentro de um carro... ainda mais num estacionamento de uma farmácia popular. Motivo dois: eu era a mais nova funcionária dele e era hora de parar de pensar sobre coisas daquele tipo. E me comportar.
Foi quando parei observando melhor o interior do automóvel. Aqueles cabelos escuros e encaracolados... com cachos pequenos e bem cuidados. Não era todo mundo que conseguia manter um cabelo cacheado tão impecável.
Os dois se soltaram, depois do beijo arrebatador. E foi então que eu a reconheci. E me afastarei rapidamente, para não ser pega no flagra.
Quase corri até a calçada, sentindo meu coração acelerado. Balancei a cabeça, atordoada. Foi quando decidi voltar.
Ela conversava com o homem, que descansava a mão em sua perna, de forma íntima.
Bati no vidro e então Letícia me encarou. Os olhos se arregalaram imediatamente. Acenei, sorrindo:
— Oi, prima!
Ela não respondeu. Não sei se foi porque ficou apavorada ou porque era antipática mesmo.
Me afastei do carro, pegando meu celular para chamar o uber. Claro que eu poderia ter filmado ou fotografado. Mas não o fiz. E não por esquecimento, mas porque não quis mesmo.
— O que porra, você está fazendo aqui? — senti a mão dela pegando meu braço, com força.
Olhei para os dedos cravados na minha pele e retirei-os calmamente, encarando-a logo em seguida:
— Eu sou livre para andar por onde quiser. O estacionamento da farmácia é público.
— Me dá seu celular.
— Por que eu faria isso?
— Porque você filmou e vai mostrar para o Michael.
— Por que eu faria isso? — sim, eu repeti a mesma pergunta.
— Porque você é apaixonada por ele e fará de tudo para estragar o nosso casamento.
Eu ri:
— Em primeiro lugar, eu não sou mais apaixonada pelo Michael.
Ela gargalhou:



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