Eu estava deitada na maca, segurando o lençol com força enquanto o médico passava o gel frio na minha barriga. Meu coração ainda batia acelerado, mas agora era por outro motivo. Era pela ansiedade da resposta.
— Pode respirar tranquila, Marja — ele disse com um sorriso sereno. — O bebê está bem. Não há sinais de descolamento, nem sangramento interno. Foi um grande susto, mas está tudo certo.
Eu não consegui responder imediatamente.
As lágrimas vieram primeiro. Silenciosas. Quentes.
— Está… está mesmo tudo bem? — minha voz saiu fraca.
Ele assentiu.
— O coração está batendo forte e regular. Você precisa de repouso nos próximos dias, evitar esforço e, principalmente, estresse.
Eu ri baixo, nervosa.
— Vou tentar negociar isso com a vida.
Ele sorriu de leve.
— Seu corpo reagiu rápido ao perigo. O reflexo salvou você de um impacto direto. A queda causou a dor, mas não atingiu o útero de forma preocupante. Você e seu bebê tiveram sorte.
Sorte.
Ou milagre.
Eu levei a mão à barriga ainda levemente dolorida.
— Obrigada… — sussurrei.
Depois de mais algumas orientações e uma receita de repouso absoluto por pelo menos três dias, fui liberada.
Quando caminhei pelo corredor até a recepção, minhas pernas ainda estavam um pouco trêmulas — não pela dor, mas pela descarga emocional que finalmente estava diminuindo.
Lucas estava sentado em uma das cadeiras azuis, inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, o celular solto entre as mãos.
Quando ele me viu, se levantou rápido
— Marja! E então, está tudo bem?
— Está sim — respondi aliviada. — Está tudo bem.
Eu vi os ombros dele relaxarem como se tivesse soltado um peso enorme.
— Graças a Deus.
Lucas coçou a nuca.
— Você não pode ir embora sozinha. Eu te levo para casa.
Eu hesitei por um segundo, mas a ideia de pegar um táxi naquele momento me pareceu exaustiva.
— Está bem.
O caminho até o estacionamento foi silencioso, mas não desconfortável. Ele abriu a porta do passageiro para mim. Eu entrei devagar.
Quando ele deu a partida, o rádio estava desligado. Só o som do motor e da cidade noturna preenchiam o espaço entre nós. Eu observei o perfil dele enquanto dirigia. Os traços estavam mais firmes. O olhar mais focado. Havia linhas discretas de maturidade no canto dos olhos. Não era mais o garoto que precisava da aprovação dos outros. Era um homem.
Como se tivesse adivinhado meus pensamentos, Lucas rompeu o silêncio entre nós:
— Quando você falou “meu bebê”… eu senti como se o chão tivesse sumido. Ainda não tinha percebido que você estava grávida. Nos últimos tempos quase não paro na escola resolvendo coisas. Mas agora vejo que sua barriga está bem grande. Está de quanto tempo?
— Mais oito semanas e ele vem ao mundo. É um menino.
Ele sorriu levemente. Em seguida perguntou:
— Você está feliz?
Eu virei o rosto para ele.
— Muito.
Ele assentiu devagar.
— O pai dele também? — perguntou me sondando.
— Também — respondi sincera.
— Você casou, Marja?
— Não — respondi com firmeza.
O carro parou diante da minha casa.
Lucas desligou o motor.
Mas eu não me movi. E ele também não. Ficamos ali, dentro do carro parado, como se aquele fosse um espaço suspenso no tempo.
— Marja… — ele começou, mas a voz falhou. — Me desculpa por aquela babaquice do passado. Eu era tão sem noção. Ter te chamado de esquisita na frente de todo mundo foi uma grande idiotice.


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