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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 103

Voltei a trabalhar depois de três dias.

O sinal do fim do expediente tocou e, pela primeira vez naquele dia, eu senti o peso real do meu corpo.

Minha barriga já estava bem grande. O tecido do vestido marcava a curva evidente, redonda, impossível de esconder. Cada movimento exigia mais cuidado. Cada passo merecia ser calculado.

Eu me despedi das colegas, organizei os últimos papéis e atravessei o corredor da escola com a mão apoiada na lombar.

Quando passei pelo portão, eu o vi.

Adriano estava encostado no carro, os braços cruzados, o olhar fixo na entrada como se estivesse esperando por um veredito. Ele não estava ali por acaso. O jeito como se mantinha rígido dizia isso.

Meu coração apertou antes mesmo de eu chegar perto.

— Adriano? — chamei.

Ele levantou o rosto. Havia olheiras fundas sob os olhos.

— Marja.

O jeito como ele disse meu nome já trouxe o pressentimento.

— O que aconteceu?

Ele respirou fundo, como se precisasse criar coragem.

— Cecília está internada.

Eu senti o chão fugir por um segundo.

— Internada? — minha voz falhou. — Ela está doente?

— Não… não é uma doença física. — Ele passou a mão pelo cabelo, nervoso. — É ansiedade. Muito forte. Ela não está comendo direito, não está dormindo. Tem crises de choro… pânico.

Meu peito se apertou.

— Desde quando?

— Desde que… — ele hesitou — desde que eu te demitir.

Eu fiquei em silêncio.

— Ela chama por você o tempo todo — ele fez uma pausa para acrescentar: — Ela voltou a falar.

— Mesmo? — perguntei.

Ele assentiu e eu quase chorei de alegria.

— Ela pergunta quando você volta e se você vai ficar. Os médicos acharam melhor trazê-la para uma clínica infantil por alguns dias. Para estabilizar.

Meu bebê se mexeu dentro de mim, como se sentisse a tensão.

— Ela quer me ver? — perguntei baixo.

Ele assentiu.

— O tempo todo.

Não pensei duas vezes.

— Vamos.

Entrei no carro sem dizer mais nada. Durante o trajeto, o silêncio era pesado demais. Eu olhava pela janela, mas não via a cidade — só a imagem de Cecília chorando, chamando meu nome.

— Eu não queria te pressionar — Adriano disse de repente. — Mas ela está sofrendo.

— Eu sei.

A clínica ficava em uma área mais afastada, cercada por árvores altas e jardins amplos. Não parecia um hospital. Parecia uma casa grande adaptada, com janelas abertas e bancos de madeira espalhados pelo gramado. O ar ali era leve.

Mas meu peito estava pesado.

Entramos pela recepção silenciosa. Uma enfermeira nos conduziu até o pátio principal.

E então eu a vi.

Cecília estava sentada no chão de pedra, concentrada em um quebra-cabeças enorme, espalhado sobre uma mesa baixa. O cabelo estava preso em duas tranças malfeitas. O rosto mais pálido do que eu lembrava.

Ela parecia menor. Mais frágil.

— Cecília — Adriano chamou suavemente.

Ela levantou o rosto.

Os olhos encontraram os meus.

Por um segundo, ela ficou imóvel. E então levantou. Quando começou a correr na minha direção, foi que o olhar dela desceu para a minha barriga. Ela desacelerou por um segundo, confusa.

Os olhos se arregalaram. Mas mesmo assim ela correu.

— Marja!

Eu me abaixei com dificuldade, ignorando o peso do corpo. Ela se jogou nos meus braços. Eu a abracei forte, como se quisesse protegê-la de tudo.

— Você veio… — a voz dela saiu embargada.

— Sim. Estou aqui, minha pequena.

Ela se afastou um pouco, as mãos pequenas apoiadas na minha barriga.

— Você está… — ela tocou com cuidado. — Você está com um bebê na barriga?

O silêncio caiu ao nosso redor.

Adriano se aproximou, tenso. Eu olhei nos olhos dela. Não havia como esconder.

— Estou.

Os olhos dela encheram de lágrimas.

— Do papai?

A pergunta foi quase um sussurro.

— Sim.

Ela ficou quieta por alguns segundos, processando.

— Então ele é meu irmão?

Meu coração apertou.

Capítulo- 103 1

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