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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 107

Parei na porta do consultório médico com aquela mistura de ansiedade e expectativa que tem me acompanhado desde que descobri a gravidez.

— Pode entrar, Marja — doutora Virgínia, a obstetra, chamou com aquele sorriso profissional que tenta acalmar o mundo inteiro.

Sentei-me na cadeira em frente à mesa dela, apoiando a bolsa no colo.

— Como você está? — ela perguntou enquanto folheava meu prontuário.

— Bem… eu acho.

— Acha?

— Tive uma dor forte ontem à noite. Foi rápida, mas me assustou.

Ela levantou os olhos.

— Dor como?

Expliquei a contração, o aperto súbito, a intensidade.

— Essas dores são constantes?

— Sim.

Ela fez algumas anotações.

— Vamos examinar você.

Deitei na maca, sentindo o papel sob minhas costas fazer aquele barulho característico. A médica colocou as mãos com firmeza e delicadeza ao mesmo tempo, pressionando levemente minha barriga.

— Relaxa.

Eu tentei.

O coração batia acelerado.

— Aparentemente está tudo bem — ela disse depois de alguns minutos.

Eu soltei o ar que nem percebia que estava prendendo.

— Mesmo?

— Sim. Batimentos normais. Desenvolvimento adequado para o tempo de gestação.

Meus olhos encheram de lágrimas, de alívio.

— Obrigada.

Ela retirou as luvas, mas continuou pensativa.

— Só não entendo essas dores.

Meu coração voltou a acelerar.

— Não entende como?

— Elas podem acontecer, claro. Mas pelo que você descreveu, foi intensa demais para o estágio em que está.

— Isso é ruim?

— Não necessariamente. Pode ser só seu corpo reagindo de forma mais sensível. Mas quero que fique atenta. Se a dor voltar com frequência ou vier acompanhada de qualquer outro sintoma, você me liga imediatamente.

Assenti.

— Eu fico nervosa fácil — confessei.

Ela sorriu de leve.

— Gravidez mexe com tudo. Hormônios, emoções… e você já passou por bastante coisa.

Eu pensei em Adriano. No bebê. Em Cecília.

— Tente descansar mais — ela aconselhou. — Evite estresse.

Eu quase ri.

Evitar estresse parecia um luxo distante.

— Vou tentar.

Saí do consultório com a sensação de que estava tudo bem, mas não completamente.

O céu já estava escurecendo quando decidi passar no mercado. Precisava ocupar a cabeça. Caminhei entre as prateleiras como se aquilo fosse uma tarefa importante demais: escolher tomates, comparar marcas de macarrão, pegar frutas.

Meu reflexo no vidro da geladeira me chamou a atenção. Eu realmente estava diferente. Havia algo cansado no meu semblante. Talvez fosse o estresse da gravidez, eu não sabia.

— Logo, logo tudo vai normalizar — murmurei para mim mesma.

Paguei as compras e, já noite fechada, peguei um táxi.

O motorista puxou conversa. No rádio, uma música antiga tocava baixo.

— Está calor hoje, né? — ele comentou.

— Está.

Ele falou mais alguma coisa, mas eu não ouvi, porque pensava nas palavras da médica. Parecia que alguma coisa na minha gravidez não estava certa.

Olhei pela janela. As ruas pareciam mais escuras do que o normal. Ou talvez fosse só impressão.

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Capitulo- 107 3

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