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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 108

Acordei com uma sensação estranha.

Antes mesmo de abrir os olhos, a angústia já estava ali. Pesada. Espessa. O coração estava acelerado.

Lentamente abri os olhos e o que vi me fez parar de respirar.

Gino estava sentado na poltrona de frente para a minha cama. Imóvel. Observando. Tinha um sorriso torto, cínico, desenhado no rosto.

O grito saiu rasgando minha garganta.

— NÃO!

Eu me sentei bruscamente na cama, puxando o lençol contra o corpo, como se assim eu pudesse me proteger.

Aquilo não era sonho. Era real.

Gino não se moveu. Só inclinou a cabeça levemente, como quem aprecia uma reação esperada.

— Bom dia, Marja.

Meu corpo inteiro ficou paralisado.

— O… o que você está fazendo aqui? — Minha voz saiu trêmula, quase irreconhecível.

Ele abriu mais o sorriso.

— Eu senti sua falta.

Meu coração batia tão forte que parecia ecoar no quarto.

— Como você entrou?

— Porta nunca foi empecilho para mim — suas palavras eram cínicas, aterrorizantes.

Eu engoli em seco.

— O que você quer?

Ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. Os olhos dele tinham um brilho estranho. Frio.

— Você sabe o que quero. Você sempre soube.

Houve um silêncio petrificado. Em seguida ele disse o que eu já sabia que iria ouvir:

— Eu quero você, Marja.

Meu estômago virou.

— Me deixa em paz, Gino!

Ele riu baixo.

— Quando você vai entender que não existe lugar para se esconder de mim? — A voz dele ficou mais grave. — Eu sempre vou te achar.

Um arrepio percorreu minha espinha.

— Eu não quero você aqui — eu disse, tentando manter algum controle. — Vai embora.

Ele levantou devagar. Cada passo parecia calculado.

— Estou com fome — disse, ignorando meu pedido. — Faz um café para mim.

Eu o encarei, incrédula.

— Você está louco?

Ele parou diante da cama e gritou:

— Café, Marja!

Eu me encolhi com medo.

Ele continuava me encarando, pronto para fazer algo se eu não reagisse.

Respirei profundamente, sentindo as pernas tremerem quando as coloquei para fora da cama.

Ele deixou o olhar deslizar pelo meu corpo e parar na minha barriga.

Um sorriso cruel surgiu.

— Então… — ele inclinou a cabeça — a garota certinha estava transando com o fazendeiro.

Senti o sangue sumir do rosto.

— Ah, claro. — Ele fingiu surpresa. — Isso é assunto delicado? Não finja constrangimento. Você é uma puta!

Minha mão foi instintivamente para a barriga. Ele percebeu. Os olhos dele brilharam ainda mais.

Peguei o robe ao lado da cama e vesti sobre a camisola. Em seguida caminhei até a cozinha tentando manter os movimentos firmes. Cada passo parecia feito sobre vidro.

— Não tenta nada — ele alertou atrás de mim.

— Eu não vou tentar nada — respondi, quase sem voz.

Minhas mãos tremiam enquanto eu pegava o pó de café. O barulho da água enchendo a cafeteira parecia alto demais. Eu podia sentir o olhar dele queimando minhas costas.

O silêncio que se seguiu era sufocante. O cheiro do café invadiu o ambiente.

— Coloca açúcar — ele disse. —Você sabe como eu gosto.

Ele riu. Terminei de preparar tudo e coloquei na mesa.

Ele se sentou como se estivesse em visita casual. Em seguida gritou:

— Senta aí!

Eu me sentei, mantendo distância.

Ele começou a comer como se aquilo fosse uma manhã comum. Como se não tivesse invadido minha casa.

Em seguida parou. Empurrou a xicara de café e o pão para o lado e me encarou.

— Você está mais bonita — ele disse. — A gravidez te deixou… interessante.

Senti vontade de gritar para ele calar a boca. Mas não queria irritá-lo mais.

— Você me surpreendeu. Esperou até conseguir dar o golpe do baú.

Meu coração disparou.

— Você é louco. Só fala besteira.

Eu gritei.

— Gino, para!

Ele puxou minha cabeça para trás e tentou me beijar.

Eu virei o rosto com nojo.

— Não encosta em mim!

Ele puxou meu cabelo mais forte.

— Para de me rejeitar!

A dor na barriga aumentou. Uma pontada aguda. Mais intensa que na noite anterior.

— Está doendo… — eu gemi.

As lágrimas embaçavam minha visão.

Meu coração batia tão rápido que parecia que eu ia desmaiar.

— Você é minha, Marja — ele sussurrou perto do meu ouvido. — Sempre foi.

Ele apertou meu cabelo outra vez.

A faca ainda na outra mão.

— Eu posso resolver esse problema agora — murmurou, olhando para minha barriga.

O pânico tomou conta de mim por completo.

— Não! — gritei com toda a força que tinha. — Por favor! Eu faço qualquer coisa! Só não machuca meu bebê!

Ele ficou me encarando. O sorriso voltou. Lento. Assustador.

— Eu gosto quando você implora.

Meu corpo começou a tremer incontrolavelmente. A dor na barriga pulsava. Minha visão ficou turva por um segundo.

“Não desmaia. Não agora”.

Eu precisava ficar consciente. Precisava proteger meu filho.

— Gino… você não quer isso. Você não é assim.

Ele aproximou o rosto do meu novamente.

— Você ainda acha que me conhece.

— Eu conheço você — falei baixo tentando ganhar tempo, tentando pensar em algo.

— Então, se me conhece, sabe que não posso esperar mais. Vamos transar e depois eu me livro dessa coisa dentro de você.

A faca deslizou mais uma vez pelo tecido. Devagar.

Meu choro ficou mais alto. A dor na barriga aumentando. Meu coração parecia que ia explodir.

Gino estava louco. Eu estava sozinha com ele. Nada de bom poderia resultar disso.

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