A mão de Gino continuava enterrada no meu cabelo. A faca deslizava pela minha barriga em movimentos lentos. Ele apreciava cada segundo do meu desespero.
A dor aumentava, latejando, com pontadas profundas, insuportáveis. Eu sentia o suor frio escorrer pelas minhas costas.
— Você está tremendo — Gino murmurou perto do meu ouvido. — Sempre tão frágil quando está comigo.
— Gino… — minha voz saiu falhada. — Por favor…
A faca subiu novamente, tocando o tecido da minha roupa.
Eu precisava pensar.
Se eu entrasse em pânico, ele podia atravessar aquela lâmina na minha barriga, sem hesitar.
Ele estava fora de si. Os olhos dele tinham aquele brilho febril, distante da realidade. Eu precisava jogar com a mente dele.
Respirei com dificuldade.
— Gino… — forcei a voz a sair mais calma. — Vamos terminar nosso café.
Ele franziu a testa levemente.
— O quê?
— Você disse que estava com fome. — Engoli o choro. — A gente termina o café. Depois… depois eu faço o que você quiser. Eu prometo.
Silêncio.
A faca parou por um segundo.
Ele me estudou.
— Você promete?
— Prometo.
Minha barriga doía tanto que eu quase não conseguia manter o olhar firme.
Ele soltou meu cabelo devagar.
A dor no couro cabeludo latejou.
— Está bem. — Disse com um sorriso torto. — Senta!
Eu obedeci.
Cada movimento que eu fazia parecia estar dentro de um pesadelo lento.
Ele se sentou também. Colocou a faca sobre a mesa. O metal fez um som seco ao tocar a madeira.
Meu coração disparou.
Era a única chance.
Ele pegou a xícara.
— Você sempre soube fazer café — comentou.
Eu não ouvi direito.
O sangue pulsava nos meus ouvidos. A dor na barriga vinha em ondas.
“Agora.”
Levantei de repente. A cadeira caiu para trás com um estrondo.
— Ei!
Eu já estava correndo. Ou tentando correr. Sempre segurando a barriga. Tropecei na ponta do tapete, quase caí, mas me apoiei na parede. A dor me fez gemer alto.
— Volta aqui! — ele gritou atrás de mim.
Eu atravessei o corredor como pude e me joguei dentro do quarto. Bati a porta com força. Girei a chave.
Ouvi os passos dele pesados se aproximando.
— MARJA!
A primeira pancada na porta fez a madeira tremer.
Corri até a cama.
Minhas mãos tremiam tanto que quase não consegui puxar o celular debaixo do travesseiro.
A tela parecia embaçada pelas lágrimas.
Encontrei o nome de Adriano.
Os dedos erravam as letras.
“Gino aqui. Armado. Socorro”.
Enviei.
Sem respirar, disquei para a polícia.
— Emergência, qual a ocorrência?
— Ele está aqui! — Minha voz saiu descontrolada. — Invadiu minha casa! Está com uma faca! Eu estou grávida!
— Senhora, qual o endereço?
Eu falei rápido, tropeçando nas palavras.
Outra pancada na porta. A madeira estalou.
— Ele vai arrombar! — eu gritei no telefone.
— A viatura já está a caminho. Fique trancada. Se proteja.
Desliguei.
Gino começou a esmurrar a porta com força.



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