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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 11

Cecilia finalmente adormeceu. Quando enfim me levantei, minhas pernas doíam.

O corredor estava silencioso. Caminhei até meu quarto e assim que me deitei, a exaustão caiu sobre mim como uma pedra. Não precisei nem puxar o lençol; apaguei de imediato.

Mas o descanso não durou porque eu sonhei. E no sonho Gino se aproximava da minha cama e tentava me agarrar. Eu acordei com um solavanco, como se tivesse realmente sido arrastada para fora da cama.

Meu coração doía de tão rápido que batia e a camisola grudava no meu corpo, encharcada de suor. Aos poucos a respiração foi voltando de forma regular, e eu fui me acalmando.

Minha boca estava seca. Eu só precisava de água. Mas quando toquei a maçaneta — bem naquele instante — ouvi a voz de Adriano no corredor. Não era uma fala normal. Era um murmúrio arrastado, pesado, daqueles que vêm de alguém mergulhado demais dentro de si mesmo para perceber o resto do mundo.

— Antonella, meu amor… eu cheguei.

Fiquei ali parada, com a mão ainda na maçaneta, e a sensação desconfortável do suor seco na pele. Meu coração já não batia pelo pesadelo, mas por outra coisa — algo que eu não sabia identificar.

Escutava os passos de Adriano, lentos, irregulares, como se ele estivesse se apoiando nas paredes enquanto caminhava. Não precisei abrir a porta para saber que ele estava completamente bêbado. A voz entregava tudo.

— Antonella… — ele repetiu, um pouco mais alto agora — Você… você ainda tá aqui, não tá?

Meu peito apertou de um jeito inesperado. Ele ainda amava a esposa; estava claro.

Por um instante — um micro instante — senti vontade de abrir a porta, de sair e perguntar se ele estava bem. Era uma vontade irracional, quase instintiva. Como se eu pudesse ajudar. Como se eu devesse fazer alguma coisa.

Me movi um pouco sem tirar os olhos dele e tentei arrumar melhor o seu corpo sobre a cama, mas ele era grande e pesado e eu não consegui mover nem uma perna dele sequer. Tentei virá-lo de lado novamente para ele não cair da cama e foi quando os braços dele me puxaram pela cintura de maneira inesperada. Fiquei grudada nele sentindo o calor do seu peito nu no meu e sua voz no meu ouvido:

— Antonella, não vá! Não me deixe outra vez.

Tentei me desvencilhar de Adriano que apertava a minha cintura com força. Tentei até que consegui e saí praticamente correndo do quarto dele.

De volta ao meu quarto, me joguei na cama com o coração acelerado, um aperto no peito, um sentimento ruim crescendo dentro de mim: inveja? Ciúme? Eu não sabia. Só sabia que naquele momento eu desejava ser amada da maneira como Antonella era amada por Adriano.

Meus últimos pensamentos antes de dormir foram: o que aconteceu com Antonella? Como ela morreu? Por que Adriano ainda estava tão machucado?

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