Cecilia finalmente adormeceu. Quando enfim me levantei, minhas pernas doíam.
O corredor estava silencioso. Caminhei até meu quarto e assim que me deitei, a exaustão caiu sobre mim como uma pedra. Não precisei nem puxar o lençol; apaguei de imediato.
Mas o descanso não durou porque eu sonhei. E no sonho Gino se aproximava da minha cama e tentava me agarrar. Eu acordei com um solavanco, como se tivesse realmente sido arrastada para fora da cama.
Meu coração doía de tão rápido que batia e a camisola grudava no meu corpo, encharcada de suor. Aos poucos a respiração foi voltando de forma regular, e eu fui me acalmando.
Minha boca estava seca. Eu só precisava de água. Mas quando toquei a maçaneta — bem naquele instante — ouvi a voz de Adriano no corredor. Não era uma fala normal. Era um murmúrio arrastado, pesado, daqueles que vêm de alguém mergulhado demais dentro de si mesmo para perceber o resto do mundo.
— Antonella, meu amor… eu cheguei.
Fiquei ali parada, com a mão ainda na maçaneta, e a sensação desconfortável do suor seco na pele. Meu coração já não batia pelo pesadelo, mas por outra coisa — algo que eu não sabia identificar.
Escutava os passos de Adriano, lentos, irregulares, como se ele estivesse se apoiando nas paredes enquanto caminhava. Não precisei abrir a porta para saber que ele estava completamente bêbado. A voz entregava tudo.
— Antonella… — ele repetiu, um pouco mais alto agora — Você… você ainda tá aqui, não tá?
Meu peito apertou de um jeito inesperado. Ele ainda amava a esposa; estava claro.
Por um instante — um micro instante — senti vontade de abrir a porta, de sair e perguntar se ele estava bem. Era uma vontade irracional, quase instintiva. Como se eu pudesse ajudar. Como se eu devesse fazer alguma coisa.


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