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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 117

O céu estava se despedindo do dia quando cruzamos a porteira da fazenda. Estávamos em casa. Adriano desligou o carro e, antes mesmo que eu abrisse a porta, ele já estava do lado de fora. Deu a volta com passos firmes e abriu para mim.

— Devagar — ele disse, estendendo a mão.

— Eu estou grávida; não estou doente — eu provoquei.

Ele sorriu de canto.

— Mesmo assim.

Cecília saltou do banco de trás com a energia de quem tinha vivido o melhor dia da vida.

Eu tirei Alex da cadeirinha. Ele desceu logo depois, andando rápido e tropeçando.

— Eu brinquei! Eu corri! — ele anunciou, orgulhoso.

— Correu e caiu — Cecília corrigiu.

— Não dodói! — ele rebateu, erguendo o queixo.

Eu ri. Adriano observava a cena com aquele olhar sereno, satisfeito.

De repente ele virou-se em direção ao celeiro.

— Mundico!

O chamado ecoou pelo terreiro.

— Pois não, seu Adriano! — Mundico apareceu ajeitando o chapéu.

— Traga madeira seca. Hoje vamos acender uma fogueira.

Mundico arqueou as sobrancelhas.

— E o que a gente vai comemorar?

Adriano passou o braço pela minha cintura e respondeu:

— A família vai crescer.

O sorriso de Mundico se abriu devagar, como quem já esperava algo bom.

— Já tô indo.

Quitéria saiu da cozinha limpando as mãos no avental.

— O que é essa movimentação?

— Estou grávida, Quitéria — eu disse, sem conseguir conter o sorriso.

Ela levou as mãos ao rosto.

— Meu Deus do céu… mais uma bênção!

Benedita veio logo atrás e disse:

— Eu sabia! Foi muito enjoo essa semana.

Diva, a babá das crianças, apareceu na varanda. Ela era sobrinha de Quitéria e morava na vila.

— É verdade? — ela perguntou, emocionada.

— É sim — eu confirmei.

Diva sorriu largo e falou com aquele jeito arrastado:

— Essa casa só sabe multiplicar amor.

E era verdade.

A fogueira foi acesa na frente da varanda. A madeira estalava enquanto o fogo crescia, iluminando os rostos que eu tanto amava. Não havia diferença entre patrão e empregado ali. O que havia eram pessoas reunidas por afeto.

Nos sentamos todos ao redor da fogueira. Mundico assava as carnes. Quitéria trouxe bolo de milho. Benedita trouxe garrafas de suco e café.

O fogo refletia nos olhos de Adriano. Eu fiquei olhando aquele homem que havia construído uma escola inteira só para me fazer feliz porque sabia que ensinar era parte de quem eu sou. Que agora acendia uma fogueira demonstrando a felicidade de ter mais um filho, de ver a família crescendo.

Ele me percebeu olhando.

— O que foi? — perguntou.

— Nada… só estou feliz.

Ele apertou minha mão discretamente.

A noite caiu devagar. O céu ficou coberto de estrelas, e as risadas ecoavam pelo campo.

Mais tarde, quando o cansaço começou a pesar nas crianças, entramos na casa. O corredor estava silencioso. Paramos diante do quarto de Cecília.

Ela segurou a maçaneta para entrar, mas Adriano falou antes:

— Espera um pouquinho, princesa.

Ela virou-se curiosa.

— O que foi, papai?

Ele cruzou os braços, fingindo casualidade.

— Eu comprei passagem de avião para amanhã.

— Amanhã? — ela piscou, surpresa. — E para onde vamos?

— Para a Disney.

— DISNEY? — ela gritou.

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