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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 119

Catarina e Leon- 02

Eu estava com o celular na mão vendo o nome da ex-mulher de Leon brilhar na tela acesa do aparelho.

— Leon… não atenda!

— Catarina, eu preciso atender.

— Não!

O celular continuava tocando.

— Por favor, Catarina.

Aquele “por favor, Catarina” me atingiu como um tapa. Porque era um pedido para que eu aceitasse aquilo sem questionar. Leon então pegou o celular da minha mão e atendeu.

— Alô.

Me levantei da cama. Ele também se levantou e saiu do quarto. Foi para a varanda. Fiquei parada no meio do quarto sentindo uma raiva quente subir pelo meu corpo. A porta de vidro ficou meio aberta. O suficiente para eu ouvir fragmentos da conversa.

— Não precisava ligar essa hora. Já conversamos sobre isso. Sim, já estou na fazenda. Amanhã vejo isso.

Passei a andar de um lado para o outro pensando na mulher que tinha sido esposa dele antes de mim. E que o abandonou possivelmente por causa de outro homem e mesmo assim ele estava ali tarde à noite falando com ela calmamente como se ela nunca o tivesse traído.

Leon voltou alguns minutos depois. Fechou a porta da varanda, me olhou e disse:

— Não começa.

— Não começa? — repeti irritada. — Você sai do quarto para falar escondido com a sua ex-mulher e eu que não devo começar?

— Eu não falei escondido.

Dei uma risada curta.

— Ah, não? Então por que foi pra varanda?

— Porque eu sabia que você ia reagir assim.

— Talvez porque exista motivo!

— Não existe motivo nenhum. E você está exagerando.

Meu sangue ferveu imediatamente.

— Então eu sou maluca?

— Eu não disse isso.

— Mas pensou.

— Catarina, pelo amor de Deus…

— Não usa esse tom comigo.

— Que tom?

— Esse tom de quem está apenas me suportando.

Ele ficou me olhando. E aquilo piorou tudo. Porque Leon tinha uma calma que me enlouquecia. Enquanto eu pegava fogo, ele ficava quieto, controlado. E eu odiava isso.

— Você acharia normal se meu ex-marido me ligasse tarde da noite?

— Você não tem ex-marido.

— Mas se tivesse?

— Dependeria do motivo.

Soltei uma risada sem humor.

— Claro. Sempre existe um motivo perfeito pra ela.

— Catarina, chega!

— Não. Não chega!

Senti meus olhos queimarem de raiva. E talvez de mágoa também. E naquele momento alguma coisa dentro de mim dizia que aquela mulher ainda ocupava espaço na vida dele. E eu não suportava isso.

Virei as costas antes que começasse a falar demais. Fui até o armário e puxei um cobertor. Leon percebeu minha intenção.

— Catarina...

Ignorei. Peguei um travesseiro.

— Catarina, para com isso.

Continuei andando.

— Você vai mesmo fazer drama?

Parei na mesma hora e me virei para ele.

— Drama?

Leon pareceu perceber tarde demais o que tinha dito.

— Não foi isso que eu quis dizer.

— Foi exatamente isso.

Meu peito subia e descia rápido.

— Você sabe o que eu acho engraçado? — falei. — Você age como se eu estivesse errada por me incomodar.

— Porque você está transformando uma ligação em uma tragédia.

— Não é a ligação.

— Então o que é?

Engoli em seco. A verdade quase escapou: o medo, o ciúme, a insegurança absurda que eu odiava sentir. Mas não falei. Porque eu era orgulhosa demais para admitir aquilo.

— Boa noite, Leon.

Passei por ele e saí do quarto.

— Catarina...

— Senhor? — Ele riu.

— Você não é o veterinário novo?

Aquilo pareceu diverti-lo ainda mais.

— Tenho cara de veterinário?

— Tem jeito de alguém que não sabe onde está e que fica olhando o que não deve.

Ele começou a caminhar devagar pela margem. Meu corpo inteiro ficou alerta. Não exatamente por medo. Mas pela estranha consciência da presença dele.

Ele inclinou a cabeça. Agora eu podia vê-lo melhor. Era jovem, de cor parda e seus olhos escuros estavam presos em mim de um jeito descarado demais.

— Talvez eu tenha gostado da cena.

Cruzei os braços dentro da água.

— Você devia aprender educação antes de começar a trabalhar aqui.

Ele riu alto dessa vez.

Saí da água usando apenas calcinha e sutiã molhados. Peguei a toalha e enrolei no corpo enquanto tentava ignorar os olhos dele acompanhando cada movimento meu.

Subi na margem para pegar o vestido e passei por ele segurando firme a toalha.

— Se estiver procurando a sede da fazenda, é só seguir pela trilha principal.

Ele colocou as mãos nos bolsos da calça.

— Obrigado pela ajuda.

Subi a trilha sem olhar para trás. Entrei na casa pela porta lateral e me tranquei no quarto. Desci alguns minutos depois usando um vestido de verão longo e florido.

Antes de entrar na sala, ouvi uma discussão. E uma das vozes era de Leon.

— Você sempre me causando problemas.

— Eu não pedi sua ajuda.

— Mas sua mãe pediu.

— Pensa que quero ficar aqui nesse fim de mundo? Eu tinha minha vida na cidade.

— Sim. Ficando bêbado e atropelando pessoas.

Entrei na sala naquele instante, interrompendo a discussão. Leon respirou, claramente tentando encerrar a discussão antes que eu escutasse mais alguma coisa.

— Depois continuamos isso.

O rapaz virou o rosto na minha direção. E eu o reconheci imediatamente. Era o garoto do rio. Por um segundo, ele apenas me observou; olhar lento, enigmático. Leon passou a mão pela nuca e disse:

— Catarina, esse é Matteo… meu filho.

E se dirigindo ao filho disse:

— Matteo, essa é Catarina, a minha esposa.

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