Catarina e Leon-12
Vê Leon e Carmen saindo daquele hotel juntos, foi devastador. Eu saí correndo, passei entre duas barracas, desviei de uma senhora e quase esbarrei em um rapaz carregando caixas. Meu coração parecia querer escapar do peito e as lágrimas dificultavam minha visão. Precisava chegar ao carro. Precisava sair dali. Precisava fugir.
Finalmente avistei meu carro estacionado há alguns metros. Mas continuava ouvindo a voz de Leon e seus passos rápidos atrás de mim. E de repente a mão dele segurou meu braço. Parei abruptamente, girei e fiquei frente a frente com ele.
— Catarina, espera. — Ele estava ofegante.
— Me solta! — falei puxando o braço com força.
— Catarina, por favor...
— Me deixa em paz!
— Você precisa me ouvir.
Balancei a cabeça.
— Não. Eu vi vocês.
— Não é o que você está pensando.
As lágrimas continuavam escorrendo do meu rosto.
— Não? Então o que eu vi?
— Me deixa explicar.
— Explicar o quê? Que vocês estavam saindo de um hotel depois de transar?
— Não é nada disso. Me deixa falar, por favor..
Mas fui eu quem começou a falar naquele instante, com a voz cortada pelo choro:
— Eu fui atrás de você. Porque queria te ver. Fui lá na associação para que a gente almoçasse junto e você faz isso comigo.
— Eu não fiz nada. Eu juro. — Leon falou mais baixo agora.
— Eu não quero ouvir mais mentiras.
Ele tentou segurar meu braço novamente. Me desvencilhei dele com um solavanco. Leon ficou imóvel e surpreso. Eu aproveitei para abrir a porta do carro depois entrei rapidamente e bati a porta com força. As mãos tremiam tanto que mal consegui encaixar a chave.
— Me escuta, Catarina...
Balancei a cabeça.
— Não!
Liguei o carro. Leon permaneceu ao lado do automóvel. Os olhos fixos nos meus, enquanto eu acelerava. Pelo retrovisor vi sua figura ficando para trás, parada no meio da rua.
A estrada surgiu diante de mim. E eu acelerei mais e mais sem ver nada à frente, com as lágrimas cegando minha visão, e tentando apagar aquela imagem para escapar da dor. O caminho até a fazenda passou em um borrão. Árvores. Cercas. Campos. Quando finalmente avistei os portões da fazenda, minhas mãos ainda tremiam sobre o volante. Atravessei a entrada sem diminuir a velocidade.
A casa apareceu. Mas naquele momento nem ela parecia capaz de me proteger nem me abrigar. Continuei dirigindo, sem olhar para trás, sem saber o que faria quando ele chegasse. Só sabendo que meu coração nunca tinha doído tanto. Desliguei, saí do carro e entrei na casa. O casarão estava estranhamente silencioso. Nenhum empregado por perto. Nenhuma voz. Nenhum som além dos meus próprios passos ecoando pelo piso.
Fechei a porta da frente atrás de mim. E comecei a andar pela sala de um lado para o outro, sem objetivo, como um animal enjaulado. Meu coração ainda parecia querer explodir. Eu ia até a janela e retornava. Depois ia de novo. Então caminhei em direção à escada, mas parei quando ouvi o som do carro de Leon freando bruscamente diante da casa.
Permaneci onde estava, no pé da escada, esperando. Então a porta se abriu com força. Passos rápidos atravessaram o hall e Leon apareceu ofegante, tenso. Os olhos imediatamente encontraram os meus. E por alguns segundos ninguém falou. Eu apenas o encarei e senti a dor retornar com toda a força. Fui a primeira a quebrar o silêncio:
— Não chega perto de mim. Não quero ouvir nada.
— Não é o que você está pensando.
— Para de dizer isso! Eu não sou idiota. — Minha voz ecoou pela sala mais alta do que eu pretendia.
Leon passou a mão pelo rosto. Claramente tentando manter a calma.
— Então me deixa explicar.
— Explicar o quê? O que estavam fazendo numa cama? — As lágrimas voltaram.
— Eu não estava em nenhuma cama.
— Quer explicar que você sempre mentiu para mim? É isso?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO