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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 130

Catarina e Leon-13

Quando chegamos ao hospital da vila, eu mal conseguia respirar. Tive medo de que a queda tivesse provocado algo mais grave além do machucado no braço da minha filha. Enquanto Leon carregava Olivia para dentro do hospital, eu caminhava ao lado deles, segurando a mãozinha da minha pequena.

Os médicos a atenderam rapidamente. Talvez porque Leon fosse conhecido na região. Talvez porque uma criança machucada sempre recebesse prioridade. Talvez pelos dois motivos.

Os minutos seguintes pareceram horas. Primeiro vieram as perguntas, depois o exame clínico, a decisão de fazer radiografias, em seguida vieram outros exames de imagem. Cada vez que alguém levava Olivia para algum procedimento meu coração parecia sair do lugar.

Eu não conseguia me acalmar. Leon também não, embora demonstrasse de forma diferente. Enquanto eu calada segurava a mão de Olivia, ele permanecia atento a tudo, conversava com os médicos, fazia perguntas, escutava explicações. Quando finalmente o médico retornou com os resultados, senti minhas pernas enfraquecerem.

— O resultado dos exames são bons. — O médico falou sorrindo.

Aquelas palavras já trouxeram um alívio imediato para o meu coração desesperado. O médico continuou falando enquanto nos mostrava os exames:

— Não houve trauma na cabeça. Também não encontramos lesões internas, nem sinais de danos em outras partes do corpo. Mas houve uma fratura no braço esquerdo.

Olhei para Olivia. Ela estava ao meu lado, sentada na maca, com os olhos vermelhos de tanto chorar. Parecendo tão pequena e tão frágil.

— É grave? — perguntou Leon.

— Não. — O médico sorriu.

— É uma fratura que deve cicatrizar muito bem com o gesso.

Pela primeira vez em horas respirei de verdade.

— Ela vai ficar bem. — Foram as palavras finais do médico.

Aquela frase me fez sorrir, porque era tudo o que eu precisava ouvir. E o restante da tarde passou entre procedimentos, imobilização, orientações, receitas. E finalmente recebemos autorização para voltar para casa. Quando saímos do hospital já estava escurecendo. Olivia estava com o braço engessado e por causa da imobilizado já não chorava, mas estava sonolenta.

Quando chegamos à fazenda, a noite já havia caído completamente e a casa estava iluminada. Nani, Janjão e Zezé vieram receber notícias. Matteo desceu as escadas perguntando como Olivia estava. Mas Leon respondeu apenas o necessário. Eu também. Nenhum dos dois tinha energia para mais do que isso. Subimos com nossa filha para o quarto dela. Trocamos suas roupas. Colocamos ela na cama, ajeitamos os travesseiros e o cobertor. E então, Olivia adormeceu. Leon apagou a luz do quarto e nós saímos.

[***]

Quando entramos no nosso quarto, Leon caminhou até a cama, eu fiz o mesmo. Me sentei na beirada do colchão e ele se sentou na outra extremidade mantendo distância, respeitando o espaço exigido por mim. Parecíamos dois estranhos.

Por alguns segundos fiquei olhando para baixo, observando minhas próprias mãos, tentando organizar os pensamentos porque depois de tudo o que tinha acontecido naquele dia, eu me sentia completamente esgotada. Era como se meu coração estivesse sendo puxado em duas direções diferentes: uma parte de mim queria confiar; outra parte estava ferida demais para conseguir.

Leon continuava sentado do outro lado da cama. Os cotovelos apoiados nos joelhos. As mãos entrelaçadas. A cabeça ligeiramente baixa. Eu não estava conseguindo segurar os sentimentos que me fustigavam, então falei:

— Se você me ama então prova.

— Eu faço qualquer coisa por você, Catarina.

Olhei nos olhos dele e disse:

— Então, nunca mais atenda nenhuma ligação de Carmen.

— Isso eu não posso prometer.

Fiquei chocada com a resposta rápida que ele me deu. Nem mesmo pensou antes de responder. Aquilo foi suficiente para a raiva subir quente por dentro de mim, me queimando, me sufocando. Naquele momento senti tanto ódio de Leon que me deu vontade de bater nele.

— Viu? Você nem consegue mais disfarçar sua ligação com ela.

— Pelo amor de Deus, Catarina. Não é nada disso.

— Você já decidiu, não foi? — falei encurralando-o.

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