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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 13

Acordei muito cedo naquela manhã. Depois de fazer minha higiene matinal ainda permaneci sentada na cama sem vontade de fazer coisa alguma. A menstruação havia descido, e uma cólica terrível fustigava o meu ventre sem piedade. Além do mais me sentia também um pouco deprimida, talvez pelo reboliço hormonal, talvez pelas emoções tão abaladas desde a morte da minha mãe.

Enfim, criei coragem para descer. Quando cheguei na porta da cozinha não encontrei Quitéria. O que encontrei foi um homem estranho, sentado à mesa, tomando café. Ele era atraente de um jeito maduro: pele clara, bronzeada, cabelos grisalhos.

— Bom dia. Não nos conhecemos ainda. Sou Leon — ele estendeu a mão.

— Marja. Sou a babá — segurei a mão que ele me estendia, depois não soube mais o que fazer com as mãos.

— Ah. — Um sorriso apareceu no rosto dele. Sincero, amigável. — Isso explica as coisas. Adriano me contou que apareceu alguém para cuidar da pequena. Você começou há pouco tempo, então?

Assenti.

Não sabia se podia dizer muito. Não sabia, principalmente, se devia. Até agora tudo o que eu tinha feito era pisar em terreno minado, e não estava com disposição para provocar mais uma explosão emocional em Adriano. Eu precisava daquele emprego. Eu precisava daquele teto.

— Comecei esta semana — respondi com um sorriso educado. — Está tudo ainda muito… novo. Ainda estou me adaptando.

Leon riu, um riso suave, rápido, como quem entende perfeitamente o que eu quis dizer.

— Imagino. Trabalhar para o Adriano nunca é exatamente… fácil.

Ele disse isso como quem fala de um velho amigo cheio de manias irritantes, mas querido. Aquilo me chamou atenção. Eu estava justamente tentando entender se Adriano tinha algum amigo, algum aliado de verdade.

— O senhor… conhece ele há muito tempo? — perguntei com curiosidade sincera.

Leon abriu um sorriso maior, quase divertido.

— Desde moleque. E pode me chamar de Leon, por favor. Ninguém aqui me chama de “senhor”; só meus cavalos quando não me obedecem.

Eu ri. Não consegui evitar.

— Ele foi à vila — Leon continuou, se referindo à Adriano — e pediu para eu esperar aqui. Temos uma reunião com alguns fazendeiros mais tarde. Assuntos chatos, mas necessários.

— Entendi — respondi, servindo café para mim, tentando manter uma postura tranquila.

— E como está sendo com Cecilia? — ele perguntou.

Eu me ajeitei na cadeira, sorrindo involuntariamente ao ouvir o nome dela.

— Ela é uma menina incrível. Muito sensível. E muito inteligente também. A gente… se entendeu desde o início.

Leon ergueu uma sobrancelha, como quem se impressiona de verdade.

— Isso é raro. Cecilia ficou mais introvertida e fechada depois que…

Capítulo- 13 1

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