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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 132

Catarina e Leon-15

Voltei para o quarto, deixei a porta encostada, mas não consegui me aproximar da cama, porque eu estava ansiosa demais. Segui direto para a varanda e fiquei lá dando um tempo, tentando acalmar um turbilhão de coisas mal resolvidas. Quando comecei a sentir frio entrei. Olhei o relógio na mesinha ao lado da cama; ainda não era tão tarde.

Talvez por isso meus pés me levaram automaticamente até a cozinha. Precisava de água. Ou de café. Ou simplesmente caminhar um pouco pela casa. Desci as escadas apenas de camisola, atravessei a sala de jantar e acendi a luz sobre a bancada. Tomei um susto enorme quando vi Leon pegando algo na geladeira. Ele usava apenas uma calça de moletom e estava sem camisa. O cabelo ainda estava levemente úmido do banho.

— Você me assustou — falei colocando a mão sobre o peito.

— Desculpa por isso — ele falou.

Leon pegou uma garrafa de água.

— Olivia continua dormindo? — Ele perguntou enquanto colocava a água no copo.

— Acho que sim.

— Ela foi corajosa hoje.

— Foi.

— Mas eu quase tive um infarto.

— Eu também.

Ele fechou a geladeira e dessa vez olhou direto para mim e perguntou:

— E você?

— O quê?

— Também está sem sono?

Assenti, concordando com a cabeça e me dirigi até a cafeteira. Naquele momento me sentia cansada e fragilizada, porque aquele tinha sido um dia longo demais. E tudo o que eu queria era parar de ser forte. Só por alguns minutos.

Apoiei as mãos na bancada. Leon falou atrás de mim:

— Cata, vem cá! Eu preciso tanto de você.

Meu estômago se contraiu. Porque toda vez que ele me chamava daquele jeito eu me desarmava. Mas continuei imóvel diante da pia e foi Leon quem continuou se aproximando. Me virei ficando de frente. Ele ergueu as mãos e seus dedos tocaram no meu rosto delicadamente. Fechei os olhos para senti-lo melhor, porque eu estava tão carente, tão cansada, tão necessitada daquele contato. Quando senti seu polegar acariciar minha bochecha, algo dentro de mim cedeu. Abri os olhos. Ele estava me olhando.

Não sei quem tomou a iniciativa primeiro. Só sei que de repente estávamos nos beijando. Minhas mãos encontraram seus ombros fortes e meus dedos deslizaram pela pele quente. Leon aprofundou o beijo. O suficiente para fazer meu coração acelerar. O suficiente para me lembrar de tudo o que existia entre nós. E naquele momento tudo se misturou, ficando confuso e perigoso. E meu corpo respondia a ele de uma maneira assustadora, aproximando-se, buscando-o.

Antes que eu percebesse, ele me ergueu, me colocou sentada sobre a bancada da pia e arrancou minha peça intima. Soltei um suspiro contra seus lábios quando ele empurrou minha cabeça para trás e agarrou meu cabelo aprisionando minha boca em um beijo profundo e exigente. Nos agarramos sobre aquela pia numa carência carnal tão forte que em pouquíssimos minutos estávamos explodindo num êxtase avassalador que nos consumiu inteiros. Foi tudo rápido demais, para nós dois.

Quando acabou ainda continuamos agarrados. E então, o telefone dele vibrou sobre a bancada. Eu olhei a tela acesa, era Adriano, provavelmente querendo saber notícias de Olivia. Leon rejeitou a ligação.

Mas aquilo me levou a uma outra coisa, porque naquele momento eu visualizei mentalmente Leon e Carmen saindo daquele hotel. Tão próximos, tão íntimos. Então veio a dúvida, a insegurança e a dor. Tudo voltou de uma vez. Como uma onda gelada.

O momento mágico desapareceu instantaneamente. Leon ainda estava ali. Tão perto. Mas, de repente, parecia distante, muito distante, porque a ferida ainda estava aberta. E naquele instante, acho que ele percebeu a mudança pela expressão do meu rosto.

— Catarina, o que foi?

Empurrei seu peito, porque as muralhas já estavam erguidas novamente e desci rápido da bancada. Leon tentou segurar minha mão.

— Me deixa, Leon.

— Não entendo você, Catarina. Não entendo mais.

Mas eu já estava me afastando. E naquele momento Leon ficou furioso:

— Porra, Catarina. Será que você não pode facilitar um pouco?

Eu também estava furiosa com ele, mas me controlei para não piorar a situação e disse apenas:

— Boa noite, Leon.

E antes que ele pudesse dizer mais qualquer coisa, virei as costas e saí da cozinha quase correndo, com o coração em frangalhos.

[***]

Quando amanheceu, fui acordada por um pesinho confortável sobre o meu braço. Olivia estava enroscada em mim, com uma perna sobre minha barriga, os cabelos espalhados pelo travesseiro e a boneca caída perto dos pés da cama. Mesmo com tudo acontecendo, aquela cena conseguiu arrancar um pouco das frustrações que eu carregava. Passei a mão pelos cabelos dela.

— Bom dia, meu amor.

Ela abriu os olhos e sorriu.

— Bom dia, mamãe.

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