Mis tarde, quando todos se recolheram, também fui para o meu quarto. Eu estava com cheiro de fumaça no cabelo, por causa da fogueira, então resolvi tomar um banho completo. A água fria descia da minha cabeça até os meus pés me proporcionando um prazer delicioso.
Eu já estava começando a relaxar no banho quando me lembrei: eu tinha poucos minutos para entrar no AVA da faculdade e preencher o formulário. Quando fugi do meu padrasto, abandonei tudo, principalmente os estudos e hoje era o último dia para justificar as minhas faltas. Eu tinha exatamente vinte minutos. Saí do banheiro procurando o celular pelo quarto e então me lembrei que havia deixado sobre a cômoda, no quarto de Cecília.
Apressada, não dei importância ao fato de que minha toalha era curta demais. Ela mal cobria o início das minhas coxas e se prendia precariamente entre os meus seios. Meus cabelos, ensopados e pesados, pingavam de forma ritmada contra os meus ombros nus, enviando trilhas de água pelas minhas costas.
Abri a porta do quarto e me precipitei correndo para o quarto de Cecília. O impacto foi inevitável. Meu corpo colidiu contra algo sólido, quente e imobilizador. O grito ficou preso na minha garganta quando minhas mãos, instintivamente, buscaram apoio para não cair, espalmando-se contra o peito dele. Senti o tecido da camisa nos meus dedos e, por baixo dele, a rigidez de músculos tensos.
— Mas o que... — A voz dele foi cortada pelo choque.
Adriano me segurou pela cintura com as duas mãos para evitar que fôssemos ambos para o chão. O impacto me empurrou para cima, obrigando-me a ficar na ponta dos pés, colando meu corpo molhado e quase descoberto ao dele.
Olhei para cima, Adriano me encarava com uma expressão que eu nunca tinha visto. O habitual olhar de arrogância, o gelo que ele usava para manter o mundo à distância, tinha derretido, dando lugar a uma intensidade sombria e estranha.
Ele não me soltou. Pelo contrário, seus dedos se fecharam com um pouco mais de força na minha pele, a pressão firme o suficiente para me lembrar de que eu estava quase nua em seus braços.
—Eu... me desculpe — gaguejei, a voz saindo como um sopro.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO