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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 26

Acordei com batidas fortes na porta do meu quarto. Eram pancadas secas e impacientes. Abri os olhos e percebi que o quarto ainda estava mergulhado numa penumbra azulada. Demorei alguns segundos para entender o que estava acontecendo, porque meu corpo estava pesado e a cabeça lenta.

As batidas vieram de novo, mais fortes.

— Já vai! — respondi, a voz rouca.

Levantei-me tateando o chão frio. Abri a porta quase no impulso — e dei de cara com Adriano.

Ele estava parado ali, ereto, os braços rígidos ao longo do corpo, o maxilar tenso. O olhar que cravou em mim foi um pouco longo demais.

— Se vista e desça — disse, sem rodeios. — Preciso falar com você.

Demorei um segundo para reagir.

— O que foi? — perguntei, ainda meio atordoada. — Fiz alguma coisa errada? A Cecilia está bem?

— Você faz perguntas demais — ele respondeu, seco. — Não é nada com a minha filha. Desça logo. Nós vamos sair.

— Me dê só o tempo de me trocar. Já vou descer.

Arrogante, pensei, sentindo o incômodo familiar subir pelo peito. Sempre autoritário, como se eu fosse uma criança que precisava ser conduzida sem explicações.

Quando fiz menção de fechar a porta, ele avançou um passo e empurrou-a levemente com a mão, impedindo que se fechasse por completo.

— Da próxima vez que alguém bater na porta do seu quarto — disse, num tom baixo e firme —, pergunte quem é. E vista-se antes de abrir.

Virou as costas e saiu pelo corredor; os passos ecoando com rigidez. Fiquei ali, imóvel, com a mão ainda na maçaneta sem entender coisa alguma. Depois fui até o espelho grande da parede e fiquei totalmente ruborizada com o que vi.

Eu estava usando uma camiseta fina demais, totalmente transparente, que exibia os meus seios completamente, sem esconder nenhum detalhe. E também usava uma calcinha que mostrava tudo: meus pelos íntimos apareciam como se fossem desenhos no tecido fino. Era como se eu estivesse nua.

O calor subiu pelo meu rosto como um incêndio. Senti uma mistura de vergonha e desconforto difícil de nomear. Meu Deus!

O coração batia rápido em excesso. Não sabia onde colocar as mãos, nem o pensamento. Havia algo humilhante naquela situação e também algo que me deixava estranhamente inquieta. Não só pelo corpo exposto, mas pelo olhar dele. Não fora um olhar vulgar. Fora… contido demais.

Balancei a cabeça, tentando afastar qualquer interpretação que não fosse correta. Vesti-me às pressas: jeans, camiseta, sapatilhas. Desci as escadas e tomei um café rápido, em pé diante do balcão.

Encontrei Adriano já dentro do carro, o SUV ligado, o braço apoiado na janela aberta. Ele não olhou para mim quando entrei.

— Já avisei a Benedita para tomar conta da Cecilia — disse, enquanto engatava a marcha.

— E… onde nós vamos? — perguntei, tentando manter a voz neutra.

Ele suspirou, como se aquela pergunta fosse um peso adicional.

— Amanhã é o aniversário de Catarina. Vou comprar um presente. — Fez uma pausa breve, depois acrescentou: — Quero que você me ajude.

A surpresa me fez virar o rosto para encará-lo.

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Capítulo- 26 2

Capítulo- 26 3

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