Pulei da cama com a casa já em movimento. Espreguicei-me e então lembrei: a trilha. Foi ideia de Catarina fazermos uma trilha naquele dia para comemorarmos o seu aniversário.
Depois do banho vesti um short confortável, camiseta com manga curta e tênis; e para finalizar amarrei o cabelo num rabo de cavalo. Quando desci, vi Adriano na cozinha debruçado na janela, olhando para fora. Catarina estava sentada à mesa, tomando café.
— Bom dia, dorminhoca! — ela disse, com um sorriso aberto demais para aquele horário.
— Bom dia… você já está assim? — provoquei, pegando uma caneca.
— Sou garota de fazenda; acordo cedo — respondeu, piscando.
Percebi que Catarina já estava usando a bolsa artesanal que ganhara de Adriano. Aproveitei aquele momento para dar o meu presente também: pulseiras e brincos artesanais hippies que comprei no Mercado de Artes.
— Uau! Obrigada! — ela me abraçou e me rodopiou.
Leon apareceu na porta da cozinha. Muito tranquilo, sorriso fácil. Cumprimentou a todos com naturalidade.
— Prontos para a aventura? — perguntou, jogando as chaves da picape no ar e pegando de volta.
— Mais ou menos — Adriano murmurou.
— Ah, deixa de drama — Catarina disse. — Você vai gostar. Prometo não te jogar de um penhasco.
Fomos pegar as mochilas. A minha estava leve: água, frutas, sanduíche, protetor solar, repelente.
— Não sei se temos água suficiente — Adriano comentou.
— Temos sim — respondi. — E comida também.
— Ótimo.
Catarina observava a cena com um sorriso curioso, e comentou:
— Meu irmão nunca muda. Age como se fosse pai de todos.
Adriano olhou para Catarina, mas não disse nada.
Seguimos para fora. No terreiro, as duas picapes esperavam. A nova de Adriano brilhava discreta. Quando cheguei à fazenda, ela estava guardada no celeiro; acredito que para ser usada nas ocasiões especiais. A de Leon, mais antiga, parecia já ter vivido muitas histórias
— Eu vou com o Leon — Catarina anunciou.
Antes de entrar na picape com Adriano, me preparei mentalmente para a aventura. Ele se sentou ao volante e ligou o carro.
Olhei para ele. Estava como sempre: com a cara de poucos amigos.
— Acha que consegue se divertir? — perguntei.
— Não sei. Eu queria dizer não. Mas Catarina não me deixa muitas opções quando decide alguma coisa.
— Imagino — sorri.
Seguimos estrada afora. A picape de Leon ia à frente. Catarina colocou o braço para fora da janela, como se estivesse em um filme.
— Ela sempre foi assim? — perguntei.
— Desde criança — Adriano respondeu. — Sempre quis mais. Mais mundo, mais gente, mais histórias.

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