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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 28

Pulei da cama com a casa já em movimento. Espreguicei-me e então lembrei: a trilha. Foi ideia de Catarina fazermos uma trilha naquele dia para comemorarmos o seu aniversário.

Depois do banho vesti um short confortável, camiseta com manga curta e tênis; e para finalizar amarrei o cabelo num rabo de cavalo. Quando desci, vi Adriano na cozinha debruçado na janela, olhando para fora. Catarina estava sentada à mesa, tomando café.

— Bom dia, dorminhoca! — ela disse, com um sorriso aberto demais para aquele horário.

— Bom dia… você já está assim? — provoquei, pegando uma caneca.

— Sou garota de fazenda; acordo cedo — respondeu, piscando.

Percebi que Catarina já estava usando a bolsa artesanal que ganhara de Adriano. Aproveitei aquele momento para dar o meu presente também: pulseiras e brincos artesanais hippies que comprei no Mercado de Artes.

— Uau! Obrigada! — ela me abraçou e me rodopiou.

Leon apareceu na porta da cozinha. Muito tranquilo, sorriso fácil. Cumprimentou a todos com naturalidade.

— Prontos para a aventura? — perguntou, jogando as chaves da picape no ar e pegando de volta.

— Mais ou menos — Adriano murmurou.

— Ah, deixa de drama — Catarina disse. — Você vai gostar. Prometo não te jogar de um penhasco.

Fomos pegar as mochilas. A minha estava leve: água, frutas, sanduíche, protetor solar, repelente.

— Não sei se temos água suficiente — Adriano comentou.

— Temos sim — respondi. — E comida também.

— Ótimo.

Catarina observava a cena com um sorriso curioso, e comentou:

— Meu irmão nunca muda. Age como se fosse pai de todos.

Adriano olhou para Catarina, mas não disse nada.

Seguimos para fora. No terreiro, as duas picapes esperavam. A nova de Adriano brilhava discreta. Quando cheguei à fazenda, ela estava guardada no celeiro; acredito que para ser usada nas ocasiões especiais. A de Leon, mais antiga, parecia já ter vivido muitas histórias

— Eu vou com o Leon — Catarina anunciou.

Antes de entrar na picape com Adriano, me preparei mentalmente para a aventura. Ele se sentou ao volante e ligou o carro.

Olhei para ele. Estava como sempre: com a cara de poucos amigos.

— Acha que consegue se divertir? — perguntei.

— Não sei. Eu queria dizer não. Mas Catarina não me deixa muitas opções quando decide alguma coisa.

— Imagino — sorri.

Seguimos estrada afora. A picape de Leon ia à frente. Catarina colocou o braço para fora da janela, como se estivesse em um filme.

— Ela sempre foi assim? — perguntei.

— Desde criança — Adriano respondeu. — Sempre quis mais. Mais mundo, mais gente, mais histórias.

Capítulo- 28 1

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