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Foi decepcionante quando Adriano me soltou. Na verdade, eu nem sabia o que estava esperando que fosse acontecer em seguida. Mas o abraço foi gostoso, foi quente! Que droga! Por que eu ficava assim perto dele?
O som das águas foi ficando mais claro à medida que avançávamos.
— Está perto — disse Catarina, animada, andando alguns passos à frente. — Já dá para sentir.
E de repente, foi tudo muito rápido e confuso. Um passo a mais. Um galho deslocado. Um choque seco.
— Aiii! — Catarina gritou.
Por um segundo, ninguém entendeu. No segundo seguinte, o ar se encheu de vidas voadoras. Um zumbido agressivo, raivoso se espalhava pelo meio das árvores. Eram marimbondos. Muitos.
— Corre! — Adriano gritou.
Corremos desesperados: primeiro Catarina, depois eu, em seguida Adriano e por último Leon.
Bem à frente, quando paramos de correr, Adriano perguntou dirigindo-se à Catarina:
— Você foi picada?
— Não. Foi só o susto. Graças a Deus.
E então, como se a natureza tivesse decidido nos recompensar, a cachoeira surgiu bem à nossa frente. Era linda. Imponente. A água despencava de uma altura considerável, formando uma piscina natural de um azul-esverdeado quase irreal.
— Meu Deus! Que lindo! — ouvi Catarina murmurar.
Descemos com cuidado pela ladeira de pedras.
— Estou no paraíso! — Catarina falou abrindo os braços.
Adriano foi o primeiro a largar a mochila no chão e tirar a roupa, ficando apenas de sunga. Em seguida se jogou na água com um mergulho preciso.
Leon fez o mesmo, rindo alto ao sentir o choque da água fria.
— Vem, Catarina! — ele chamou.
Catarina também entrou. E eu fiquei por último. Coloquei minha mochila sobre uma pedra seca e fiquei apenas de maiô.
Foi então que Catarina saiu da água de repente, os olhos arregalados.
— Minha mochila! — gritou. — Eu esqueci minha mochila!
Todos a olharam.
— Como assim esqueceu? — Leon perguntou.
— Eu joguei tudo no chão quando a gente correu fugindo dos marimbondos! Meus documentos, meu celular… tudo está lá.
O beijo começou lento, cuidadoso, mas não demorou a ganhar intensidade. Adriano me puxou com força para mais perto, a mão firme na minha cintura, a outra, no meu cabelo molhado.
O beijo se aprofundou. Ele segurou com mais força meu cabelo, inclinando minha cabeça para intensificar o beijo. De repente, estávamos grudados, com a água envolvendo nossos corpos enquanto nos movíamos sem pressa, sem culpa naquele instante roubado. Embaixo da água nossos corpos continuavam colados. Senti o membro dele, duro e quente pressionando minha pele, logo abaixo do meu umbigo. E alguma coisa dentro de mim ardeu, queimou. E não lutei contra.
E novamente recebi outro beijo quente. A língua dele na minha boca, me causando arrepios por todos os poros. A barba por fazer arranhando de leve o meu rosto.
Nunca havia estado tão próxima de um homem, numa intimidade que estava a ponto de me matar. Tudo era novo, intenso! E aquele momento com Adriano estava valendo por uma vida inteira.
Foi quando ouvimos a voz de Catarina:
— Por aqui! — ela gritou.
O som caiu sobre nós como um balde de água gelada — mais frio do que a própria cachoeira. Adriano se afastou imediatamente.
Catarina e Leon surgiram entre as pedras.
— Achamos! Estava tudo lá — Catarina falou alto.
Sorri, um sorriso que não sabia se convencia a eles ou a mim mesma. Adriano já estava mais distante e dentro de mim, tudo estava em desordem.
Mais tarde, quando saímos da cachoeira, colocamos tolhas no chão para almoçar. Adriano se sentou bem longe de mim. Ele conversava normalmente com Leon e Catarina e em nenhum momento puxou assunto comigo. Era como se eu não estivesse ali.
Após o almoço, com as mochilas novamente nos ombros, caminhando de volta para casa, eu seguia com a sensação estranha de que havia cruzado uma linha invisível. Entre mim e Adriano, algo tinha sido despertado. E eu sabia que aquilo que acabara de acontecer entre nós nunca mais seria esquecido, nem ignorado. Não por mim.

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