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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 32

Abri a porta do meu quarto e me sentei no chão, sem forças para chegar até a cama. Os joelhos dobrados contra o peito, os braços apertando as pernas num abraço inútil.

Lembrei de tudo: do beijo, do toque, do instante em que ele havia parado, pedindo permissão com os olhos. Doía saber que, para mim, aquilo havia sido tudo… e para ele, um erro.

Adriano fora claro, direto, definitivo. Cada palavra dele ainda ecoava dentro de mim como um golpe violento. Não crie expectativas. Eu não sou homem para você.

Fechei os olhos com força, mas isso só fez as imagens da cachoeira voltarem ainda mais nítidas — a água fria na pele, o corpo dele tão perto, o beijo que começou hesitante e terminou urgente, faminto, verdadeiro. Verdadeiro demais para ser apagado com palavras.

Levei a mão ao peito, pressionando com força, como se pudesse conter aquele aperto que parecia crescer a cada respiração. Doía respirar. Doía lembrar. Doía existir naquele momento.

Foi então que a compreensão veio. Veio como uma sentença:

Adriano nunca vai me amar.

Não porque eu não seja suficiente. Não porque eu seja jovem demais, inexperiente demais. Mas porque existe alguém que ocupa todo o espaço que poderia ser meu. Uma presença que não anda pelos corredores da casa, mas que vive em cada silêncio, em cada olhar duro, em cada palavra não dita.

O nome de Antonella não precisava ser pronunciado para estar ali. Eu sentia. Sentia na forma como Adriano evitava se aproximar de Cecília. No jeito como bebia para esquecer, mas nunca esquecia. No modo como olhava o horizonte, como se ainda esperasse alguém voltar de um lugar de onde ninguém volta.

Ele ainda a amava. Ela seria para sempre a mulher da vida dele.

E isso era o que mais doía: perceber que eu estava competindo com um amor que nunca vai morrer. Porque pessoas morrem, mas o amor que fica… esse se transforma em algo absoluto, intocável, impossível de questionar.

Que mulher viva pode competir com o amor de um homem por uma mulher morta?

Fiquei olhando para o teto, os olhos ardendo. Respirei fundo várias vezes, tentando acalmar o corpo. Mas o coração não obedecia. Ele continuava batendo forte, dolorido, insistente.

Adriano estava preso. Preso a um passado que o engolia; preso a uma mulher que ele perdeu, mas nunca deixou ir. E eu… eu estava ali, viva, pulsando, sentindo demais.

Pensei em Antonella, na mulher perfeita que todos descreviam com uma mistura de saudade e devoção. Eu não queria substituir ninguém. Não queria apagar Antonella da história dele. Eu só queria… existir. Ser vista. Ser sentida.

Levantei devagar, as pernas ainda trêmulas, e fui até a janela. Naquele instante, eu me permiti sentir tudo: a rejeição, a humilhação, a tristeza funda, o amor não correspondido. E a certeza amarga de que, por mais que eu quisesse, Adriano nunca seria meu.

Engoli o choro que ameaçava voltar com força. Sequei o rosto mais uma vez. Eu não podia me dar ao luxo de despencar completamente. Precisava seguir em frente. Só não sabia como.

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