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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 34

Alguma coisa me acordou. Era uma tosse contínua, seguida por um choro fraco, quase um gemido. Abri os olhos ainda confusa tentando entender de onde vinha aquilo. Mesmo assim, ainda permaneci deitada, tentando proteger o rosto da claridade. De repente me lembrei de Cecília.

Só pude ouvir seu choro de dor porque nunca fecho a porta do meu quarto, que fica na frente do quarto dela.

Saltei da cama e atravessei o corredor em passos largos, quase correndo. Ela estava sentada, o pijama sujo de vômito, o rostinho vermelho e molhado de suor. Quando toquei sua testa, senti o calor me queimar a palma da mão. Não era febre comum. Era febre alta e perigosa.

— Está tudo bem, meu amor. Eu estou aqui — falei próximo ao seu ouvido, tentando acalmá-la.

Ela vomitou de novo, o corpo pequeno tremendo, os olhos vidrados. Peguei a toalha, limpei seu rosto, suas mãos, troquei o pijama com movimentos apressados e desajeitados. Minha cabeça funcionava em fragmentos: termômetro, remédio, água.

A temperatura subia rápido demais.

Desci as escadas quase correndo, deixando Cecília deitada por um instante, rezando para que ela não piorasse enquanto eu estava longe. A cozinha estava silenciosa, mas havia um cheiro de café quente no ar. Quitéria mexia em alguma coisa perto do fogão.

— Quitéria, cadê o Adriano? — perguntei sem rodeios, a voz alta, já em busca de uma resposta rápida.

Ela se virou, surpresa com meu tom de voz. Principalmente por eu ter falado o nome dele, coisa que eu nunca fazia.

— Ele não está. Saiu cedo de novo. Acho que foi ver umas cercas lá do lado sul.

Meu coração acelerou.

— Você sabe quando ele volta?

Ela balançou a cabeça devagar, de forma negativa.

— Não disse nada. Acho que ele só deve voltar no finalzinho da tarde, como sempre faz.

Subi de novo as escadas, dois degraus por vez. Cecília estava pior. O corpo muito mais quente, a respiração curta.

Peguei-a no colo, envolvi-a num cobertor leve e a apertei contra mim. Ela gemeu baixinho, a cabeça tombando no meu ombro.

— Vai ficar tudo bem — sussurrei, mais para mim do que para ela.

Desci com cuidado e quando atravessava a sala Quitéria perguntou, assustada:

— Meu Deus do céu! O que houve com a pequena?

— Ainda não sei. Vou levá-la ao hospital.

— Quer que Mundico vá junto? Posso chamar ele.

— Não dá tempo, Quitéria.

Enviei a mensagem e fiquei aguardando.

Olhei para a tela. Nada. Nenhuma confirmação de leitura. Nenhum sinal de que ele estivesse online. Coloquei o celular no colo e fiquei esperando.

O tempo começou a se esticar de um jeito cruel, com minutos que pareciam horas. Cada pessoa que passava pela recepção fazia meu coração saltar, esperando notícias.

Olhei novamente para o telefone sem obter nenhuma resposta. Naquele momento fiquei com tanta raiva de Adriano, que quase não me reconheci

Peguei o celular de novo. Ainda não havia uma resposta de Adriano. Minha mente começou a correr por cenários terríveis: Convulsões. Internação. Coisas que eu não queria nem pensar.

— Fica bem, Cecília… por favor — murmurei, sem perceber que falava em voz alta.

Lembrei do sorriso de Cecília no dia anterior, dos exercícios de leitura, da concentração séria ao juntar sílabas. Esses dias ela estava tão feliz!

Olhei novamente para a porta por onde a tinham levado. Fechada. Silenciosa. Implacável. Peguei o celular mais uma vez e encarei a mensagem enviada para Adriano. Ela estava lá, solitária, sem resposta. Minha raiva aumentou mais do que eu esperava. Não porque ele estivesse ausente fisicamente — isso já não era novidade —, mas porque, naquele momento, a filha precisava muito dele e ela tinha que ser prioridade.

O tempo continuou passando, indiferente ao meu desespero. Eu fiquei ali, sentada naquela cadeira dura, com o coração apertado, esperando por notícias, esperando por Cecília, esperando por Adriano.

***

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