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A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO romance Capítulo 37

Apesar de já ter ouvido coisas semelhantes de Adriano, o tom com que ele falou, me feriu de uma maneira diferente. Principalmente depois do beijo. Mas para ele era como se o beijo não tivesse significado nada. Pelo menos era o que ele demonstrava.

Ele me encarou de cima a baixo, e naquele olhar não havia mais conflito. Só autoridade. Distância. Frieza.

— Você é apenas uma babá — continuou, impiedoso. — Foi contratada para cuidar da minha filha. Não para julgar minhas decisões, nem minha vida.

Eu sentia o peito doer de verdade, como se algo estivesse rasgando por dentro.

— Eu sei — respondi, um pouco perdida.

E então veio o golpe final. O que me desmontou de vez.

— Se não está gostando do que vê — ele disse, virando um pouco o rosto, como quem já decidiu — talvez seja melhor arrumar outro emprego.

Não houve discussão depois disso. Eu não consegui dizer absolutamente nada. Adriano virou as costas e saiu pelo corredor, passos firmes, decididos, como se aquela conversa tivesse sido apenas um incômodo a mais no dia dele. Ouvi a porta do escritório se fechar ao longe. O som ecoou pela casa inteira, mas foi dentro de mim que ele mais doeu.

Fiquei ali, parada no corredor, sentindo o corpo tremer. As pernas fracas, os braços pesados, o coração em frangalhos. Mas infelizmente era isso mesmo que eu era: uma babá; uma substituível.

Não sei por quanto tempo fiquei sentada naquele degrau, mas já estava ficando frio ali fora. Passei as mãos pelos braços arrepiados, me levantei e abri a porta para entrar. Naquele momento, vi Adriano na penumbra da casa. Ele não me viu. Estava subindo as escadas com uma garrafa de whisky vazia na mão. Bêbado, tropeçando.

Por um momento senti vontade de ir até ele e abraçá-lo; oferecer o meu carinho, o meu ombro, tirá-lo daquela angústia. Mas eu não era Antonella e ele não me queria.

Com certeza naquele momento estava sofrendo por ela. O fantasma de Antonella estava ali naquela casa assombrando Adriano de dia e de noite. Acabando com a vida dele; matando-o um pouco a cada dia até que não sobrasse mais nada dele.

Esperei um pouco e quando ouvi o barulho da porta do quarto dele se fechando, eu subi e fui para o meu quarto.

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