Quando Adriano me segurou em seus braços, o tempo pareceu parar ali. Não havia som algum além do vento e do meu próprio coração, batendo alto demais dentro do peito. O rosto dele estava a centímetros do meu. Os olhos escuros, atentos, intensos.
Por um instante, tive certeza de que ele ia me beijar. Vi a intenção passar pelo olhar dele, vi o conflito, vi o desejo contido, quase doloroso. Meus lábios se entreabriram sem que eu percebesse, a respiração curta, o corpo inteiro respondendo àquele silêncio carregado.
Mas o beijo não veio. Adriano piscou, como se acordasse de um transe, e me soltou. Deu um passo para trás, recompondo a distância, a postura e o controle. Em seguida, caminhou até o cavalo, segurou as rédeas e voltou-se para mim.
— Suba — disse. — Vamos para casa.
Hesitei apenas um segundo antes de aceitar a mão que ele estendeu. Subi na garupa, sentando-me atrás dele. Minhas mãos procuraram apoio, tocando-lhe a cintura com cuidado. O cavalo começou a andar, e eu senti o movimento ritmado, o corpo dele firme à minha frente e a proximidade tão inevitável.
Seguimos assim até a casa grande, em silêncio. O caminho pareceu mais curto do que nunca. Quando descemos, ele me ajudou novamente, as mãos firmes, corretas, rápidas demais. Amarrou o cavalo e caminhou comigo até a frente da casa.
— Marja… — ele me chamou, usando meu nome de um jeito que fez meu estômago se contrair.
Eu me virei, esperando. Ele abriu a boca para dizer algo; vi claramente que havia mais ali, algo que ele finalmente iria se permitir.
— Adriano!! — A voz de Mundico surgiu apressada. — Preciso do senhor agora. É coisa séria lá no pasto de baixo.
Adriano fechou os olhos por um segundo. Depois respondeu:
— Já vou.

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