Recebi alta naquela manhã. Já estava me sentindo bem melhor como se a mordida da cobra tivesse sido há muito, muito tempo. O médico falou palavras técnicas, explicou recomendações, repouso relativo, remédios, retorno em alguns dias.
Adriano cuidou de toda a papelada. Eu apenas assinei onde me indicavam. Quando finalmente atravessei a porta do hospital, o sol me atingiu o rosto com uma força inesperada. Fechei os olhos por um instante, respirando fundo. Estava viva. E isso, de repente, parecia enorme.
— Devagar — Adriano disse, colocando a mão nas minhas costas quando percebeu que meus passos estavam incertos.
Não foi um toque invasivo. Foi firme, seguro, necessário. Assenti, aceitando aquele apoio sem discutir. Ele abriu a porta do carro, me ajudou a sentar, ajustou o cinto com cuidado. Tudo em silêncio.
— Para a fazenda? — perguntei, depois que ele deu a partida.
Ele negou com a cabeça.
— Não. Vamos para a praia.
Virei o rosto lentamente para encará-lo.
— Praia?
— Minha casa aqui na capital. — Fez uma breve pausa. — Prefiro que você fique perto do hospital caso surja alguma necessidade.
Observei seu perfil sério, concentrado na direção. Não havia espaço para discussão naquela frase, mas também não havia autoritarismo. Era cuidado. E isso me deixou estranhamente sem defesa. E eu apenas encostei a cabeça no banco e deixei o carro seguir.
A casa surgiu depois de alguns minutos de estrada à beira-mar. Quando Adriano estacionou e eu desci, precisei parar por um instante para absorver a imagem. Simplesmente linda. Não havia outra palavra. Era uma construção moderna, ampla, quase toda de vidro e o mar parecia entrar pela casa, refletido em cada parede transparente.
— Meu Deus… — murmurei, sem conseguir esconder o assombro.
Ele me observou de soslaio.
— Você gosta?
— É… — engoli em seco — …é maravilhosa!
Entramos. O chão claro, os móveis elegantes, tudo organizado de um jeito silencioso. Nada ali parecia excessivo; tudo bonito sem ostentação. Havia algo solitário também, como se aquela casa fosse mais refúgio do que lar.
Ele me levou até o quarto, abriu a porta, acendeu a luz. O cheiro de maresia entrou imediatamente pelas portas de vidro que davam para a varanda. A cama era grande, branca, convidativa. Senti o cansaço me atingir de uma vez.
— Se quiser deitar um pouco… — sugeriu.
— Acho que vou — admiti.


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