Quando Adriano entrou, o cheiro da bebida se espalhou pela casa. Fiquei calada e aproximei-me devagar.
Havia algo frágil nele naquele momento, algo que me fazia querer estender a mão e, ao mesmo tempo, recuar. Seus ombros pareciam carregar mais do que o corpo aguentava.
— Você bebeu — falei, não como acusação, mas como constatação.
Não houve resposta. Adriano ficou parado à minha frente, os olhos perdidos em algum ponto indefinido da casa, o corpo grande oscilando levemente, como se o chão fosse líquido. Por um segundo, tive medo de que ele caísse ali mesmo, diante de mim, e esse medo foi mais forte do que qualquer ressentimento que começava a se formar.
Ele respirou fundo, o peito subindo e descendo de forma irregular, e então falou com a voz rouca, quebrada:
— Me ajuda… a ir para o quarto.
Não foi um pedido autoritário. Foi quase infantil. Um homem grande demais, pesado demais, frágil demais naquele instante.
Aproximei-me e passei o braço dele por cima dos meus ombros. O peso de Adriano caiu sobre mim de imediato, e eu precisei fincar os pés no chão para não tombar junto. O cheiro de álcool subia quente, misturado ao cansaço e a algo mais profundo — um desânimo que não vinha apenas daquela noite.
Caminhamos lentamente pelo corredor. Cada passo era um pequeno desafio. Ele tropeçava, apoiava-se demais, murmurava palavras soltas que eu não conseguia compreender. Em alguns momentos, senti raiva. Em outros, uma tristeza profunda. E, acima de tudo, um cansaço que não era físico.
Quando finalmente chegamos ao quarto, Adriano praticamente desabou sobre a cama. O corpo grande afundou o colchão, os braços caíram pesados ao lado do tronco, a cabeça virou de lado, os olhos semicerrados. Parecia um homem derrotado, alguém que tinha lutado contra algo invisível o dia inteiro e perdido.
Me abaixei diante da cama e tentei, como pude ajeitar seu corpo. Tirei os sapatos, puxei-o um pouco mais para o centro da cama, cobri-o com o lençol. O esforço me fez suar. Ele era alto demais, pesado demais, e eu pequena demais para aquela tarefa. Ainda assim, não consegui simplesmente deixá-lo ali, jogado, como um objeto.
Enquanto eu ajeitava o lençol até o peito dele, Adriano segurou meu braço e murmurou:
Foi ali que desabei.
Não era apenas tristeza. Era humilhação. Era a constatação dolorosa de que, mesmo nos braços dele, mesmo na cama dele, eu ainda era uma sombra projetada sobre outra mulher. Antonella não estava ali, mas ocupava tudo.
Chorei pelo fim daquele final de semana que tinha sido tão intenso, tão vivo, tão cheio de promessas silenciosas. Chorei pela minha ingenuidade de ter acreditado que aquele espaço ao lado dele na cama pudesse, de alguma forma, ser só meu.
Deitei-me na cama sem trocar de roupa, o corpo exausto, a mente em turbilhão. Fechei os olhos, mas o sono não vinha. Toda vez que piscava, via Adriano me chamando por outro nome. Sentia o peso daquela palavra sobre o meu peito, esmagando qualquer tentativa de racionalizar.
Virei o rosto no travesseiro, abafando o choro, tentando encontrar forças para o dia seguinte.

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