Eu estava na recepção da clínica. Informei meu nome e me sentei. O nervosismo bateu forte. Eu estava prestes a conhecer alguém que já existia dentro de mim.
Quando chamaram meu nome, minhas pernas tremeram. A técnica sorriu com gentileza e me conduziu até a sala do exame.
— Pode deitar, Marja — disse ela, com uma voz tranquila.
Deitei-me e respirei fundo. O gel frio tocou minha barriga, fazendo-me estremecer levemente.
— Você já sabe de quanto tempo está? — ela perguntou, enquanto ajustava o aparelho.
— Não… — respondi. — Acho que é recente.
Ela se concentrou na tela. De repente, a expressão dela mudou. Um leve sorriso surgiu em seus lábios.
— Hum… — murmurou. — Marja, você não está no início da gestação.
Franzi a testa.
— Como assim?
Ela virou o monitor um pouco na minha direção.
— Você está com aproximadamente vinte semanas.
Vinte.
A palavra ecoou dentro de mim como um trovão.
— Vinte semanas? — repeti, quase sem voz.
— Sim. Quase cinco meses.
Senti o ar me faltar por um instante. Cinco meses. Como eu não tinha percebido? Como meu corpo guardara esse segredo por tanto tempo enquanto eu atravessava dores, despedidas, violência, amor e perda?
Minha mão tremeu.
— Está tudo bem? — ela perguntou, percebendo meu silêncio.
— Está… — respondi, engolindo em seco. — Só… é muita informação.
Ela sorriu compreensiva e continuou o exame.
— O bebê está ótimo. Medidas perfeitas, batimentos fortes.
E então ela disse, com naturalidade, como se fosse a coisa mais simples do mundo:
— É um menino.
As palavras me atingiram em cheio.
Um menino.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas antes mesmo que eu pudesse reagir. Um nó se formou na minha garganta, apertado, urgente. Levei a mão à boca, tentando conter o choro que já transbordava.
— Quer ouvir o coração? — ela perguntou.
Assenti com a cabeça, incapaz de falar.
Ela ajustou o aparelho, e então o som preencheu a sala.
Tum-tum. Tum-tum. Tum-tum.
Era rápido. Forte. Vivo.
O coração do meu filho.

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