“Blake Reeve”
Saio do quarto dela e fecho a porta devagar, como se qualquer barulho pudesse denunciar o que está acontecendo dentro de mim.
Volto para o meu quarto, coloco a arma na mesa de cabeceira, sento na borda da cama e fico olhando para o chão por mais tempo do que gostaria de admitir.
— Pesadelo — murmuro, baixo o suficiente para que só eu ouça.
Respiro fundo. Inspiro. Expiro. O ritmo que uso quando preciso calibrar a adrenalina depois de uma ameaça real.
O problema é que não havia ameaça nenhuma. E, mesmo assim, reagi como se houvesse.
Entrei em alerta quando os primeiros sons chegaram através da parede, me acordando do sono leve.
Meu instinto de segurança reagiu primeiro: barulhos estranhos no meio da noite, quarto ao lado, protegida vulnerável.
Me levantei, peguei a arma e cheguei até a porta dela com os sentidos completamente focados.
Mas, quando estava prestes a arrombar a porta, se fosse preciso, entendi com clareza o que aqueles sons significavam. Porque, entre os ruídos abafados, ela estava gemendo o meu nome.
Foi por isso que bati, e não entrei direto. Porque bater era o único jeito de ter certeza de que ela realmente estava bem, sem invadir algo que claramente não era uma ameaça.
E quando abri a porta e vi… o rubor intenso no rosto dela, a respiração rápida demais, as coxas pressionadas uma contra a outra, mesmo sob o cobertor… eu tive certeza.
Ela estava se tocando pensando em mim.
— Porra, Blake… respira.
Não adianta, óbvio. Meu pau continua duro, incomodando sob o tecido da calça de moletom, exigindo uma atenção que eu não posso dar.
Deito de costas, cruzo os braços atrás da cabeça e encaro o teto.
O beijo de ontem foi ridículo. Dois segundos ou talvez menos que isso.
Não foi intenso, não foi cinematográfico. Foi desajeitado, breve, quase sem jeito, o tipo de coisa que dois adolescentes fariam e fingiriam que não aconteceu depois.
E, mesmo assim, mexeu comigo mais do que deveria. Mais do que qualquer coisa, nos últimos anos.
Ainda assim, eu estava quase conseguindo esquecer. Quase conseguindo trancar aquilo no fundo da mente e voltar a ser só o profissional.
Então os gemidos começaram. Meu nome, baixo, rouco, saindo dos lábios dela enquanto se dava prazer.
E isso me fodeu mais do que qualquer coisa.
— Se controla, porra — falo, esfregando a mão no rosto. — Ela é o trabalho. Só o trabalho. Você não pode querer isso.
Meu corpo discorda. O som dela gemendo meu nome não sai da minha cabeça, tornando ainda mais difícil controlar minhas reações.
Quero voltar para aquele quarto, puxá-la para mim, substituir a mão dela pela minha boca, pelos meus dedos, pelo meu…
Fecho os olhos com força, interrompendo o pensamento antes que ele vá longe demais.
— Ela é a sua protegida. Ponto final.
Me levanto, irritado, tiro a calça e vou direto para o chuveiro. A água gelada b**e no peito, desce pela barriga, mas não apaga o fogo.
Hoje, ela segura a xícara com as duas mãos em silêncio e se senta do outro lado da bancada sem me olhar uma única vez.
— O mapeamento de rota está quase completo — digo, quebrando o silêncio incômodo. — Se tudo se confirmar, em alguns dias você poderá ir pessoalmente à empresa. Ainda com protocolo, mas vai ter mais liberdade para sair do apartamento.
Ela me encara pela primeira vez desde que entrou.
Por um segundo, acho que finalmente vai rebater, questionar por que “em alguns dias”, reclamar da cautela excessiva, como sempre faz.
— Pode me avisar quando tiver certeza — ela diz, por fim, e volta para o café.
Essa é a confirmação que eu precisava.
Sophia não está sabendo lidar com o que aconteceu. E o pior… eu também não sei. A diferença é que eu consigo esconder.
Por enquanto.
Pego o café esquecido ao lado do tablet e, mesmo já frio, tomo um gole.
— Aviso quando tiver certeza — respondo, com o mesmo tom de sempre.
Ela assente sem me olhar, se levanta e sai da cozinha com a xícara na mão. Fico parado, encarando a porta.
Trinta e seis anos. Doze deles só neste trabalho. Missões em quatro continentes. Situações que fariam a maioria das pessoas parar de dormir de vez.
E é uma mulher em silêncio, evitando o meu olhar, que está me desestabilizando.
— Perfeito — murmuro, abrindo o relatório de segurança novamente. — Absolutamente perfeito.

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