“Ivy Collins”
A mansão está silenciosa quando entro.
Silenciosa demais.
Fecho a porta atrás de mim com cuidado, como se qualquer barulho pudesse denunciar tudo o que aconteceu nas últimas vinte e quatro horas.
Como se alguém pudesse simplesmente olhar para mim e ler na minha testa: não sou mais virgem.
Respiro fundo e subo as escadas. Quando chego ao corredor, ouço a voz animada de Oliver vindo da porta aberta do quarto dele.
— Ivy! — grita, correndo na minha direção com o braço engessado esticado. — Olha o que a tia Sophia desenhou no meu gesso!
Me agacho para olhar o foguete colorido, que ocupa o espaço ao lado do desenho que fiz dias atrás.
— Ficou incrível, astronauta — digo, sorrindo.
— Onde você tava, Ivy? — ele pergunta, franzindo as sobrancelhas. — Pensei que você tinha ido embora pra sempre.
— Claro que não. Eu só… tinha um compromisso.
— Com quem? — insiste, me encarando com aqueles olhos curiosos demais para a própria idade.
— Deixa de ser curioso, Oliver — Sophia intervém, e agradeço mentalmente por isso. — Oi, Ivy. Como foi a folga?
— Foi… tranquila — minto, porque foi tudo, menos isso. — Obrigada por ficar com ele.
— Imagina, adoro passar tempo com meu terrorista favorito — ela bagunça o cabelo de Oliver, que ri. — Além disso, Lucas me pediu. Se eu negasse, provavelmente ele me atolaria de trabalho depois.
Sinto meu rosto esquentar levemente ao ouvir o nome dele.
— Bom, já que você chegou, estou indo — diz, entrando no quarto para pegar suas coisas.
Quando volta, beija a cabeça do sobrinho, se despede de mim com um sorriso e segue em direção às escadas.
Assim que Sophia desaparece, ouço a voz de Lucas falando com ela, e meu coração acelera automaticamente.
Mas mal tenho tempo de processar, porque Oliver se agarra no meu braço, me balançando.
— Ivy, você pode me ajudar a terminar meu desenho? — pede, fazendo biquinho.
Solto um suspiro cansado, mas, como sempre… Oliver me vence, independentemente do cansaço.
Quando assinto, ele sai correndo e se senta à mesa, me mostrando um desenho quase pronto. Mas, ao contrário do que imaginei, não são dinossauros nem foguetes.
São… bonequinhos.
— Esse é o papai, essa é a Sra. Mallory, essa é a Blair — explica, apontando cada um. — E essa aqui é você.
Quando ele aponta para a bonequinha ao lado dele, segurando sua mão, é impossível não sorrir.
— Ficou lindo, astronauta. Você desenha muito bem.
Ele sorri, orgulhoso, e volta a desenhar, concentrado.
Fico com ele por mais um tempo, exausta, mas com o coração inexplicavelmente leve. Saber que ele me enxerga como parte da família… significa mais do que eu deveria admitir.
Quando a Sra. Mallory aparece avisando que o jantar está quase pronto e se oferece para levá-lo, agradeço e praticamente corro para o meu quarto.
Fecho a porta e me jogo na cama, puxando o celular do bolso.

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