O quarto estava mergulhado em silêncio, iluminado apenas pelos feixes suaves de luz que escapavam pelas frestas das cortinas de linho branco. O ar estava morno e carregado de um perfume suave de lavanda vindo do difusor no canto. Isabella ainda estava deitada sobre o peito de Lorenzo, o corpo completamente relaxado, com a respiração lenta e profunda, tentando controlar o coração que finalmente encontrara um ritmo tranquilo.
Lorenzo, por sua vez, passava os dedos com carinho pelos fios sedosos do cabelo dela, desenhando pequenos círculos preguiçosos na pele de sua nuca. Seu sorriso era sereno, satisfeito, um daqueles sorrisos silenciosos que só Lorenzo tinha, o tipo de sorriso que denunciava paz, prazer e um amor que não precisava de palavras.
Por um instante, parecia que o mundo inteiro cabia ali: o som leve da respiração dos dois, a brisa entrando pela janela e o pulsar tranquilo dos corações que se encontravam. Mas o sossego durou pouco.
De longe, um burburinho vindo da sala de jantar começou a alcançar o quarto. Risadas, vozes e o som de talheres contra pratos denunciavam que a família ainda estava reunida. Isabella soltou um suspiro resignado, cobrindo o rosto com as mãos, já antecipando o que viria.
— Não acredito que deixamos todo mundo lá fora… — murmurou, rindo baixinho, ainda com as bochechas coradas e o corpo quente. — Giulia e Beatriz vão acabar com a minha vida.
Lorenzo soltou uma risada grave e arrastada, beijando de leve a testa dela, com aquele jeito provocador que a fazia sorrir mesmo contrariada.
— Deixa que falem, amore mio… — disse, com o tom carregado de diversão e malícia. — Eles que se acostumem: eu não divido minha esposa com ninguém.
Isabella revirou os olhos, mas não conseguiu evitar o pequeno sorriso que escapou. Mesmo assim, levantou-se devagar, pegando o vestido de seda no encosto da poltrona e vestindo-o com cuidado. Caminhou até o espelho, prendeu o cabelo num coque bagunçado e ajeitou a barra do vestido. Depois, virou-se para ele, colocando uma das mãos na cintura, séria:
— Por favor, Lorenzo… só tenta. Pelo menos tenta… não dar bandeira.
Ele levantou-se lentamente, o corpo ainda relaxado, mas os olhos azuis faiscando diversão. Passou os dedos pelos fios desalinhados do próprio cabelo, ajeitou a camisa branca amarrotada e respondeu com aquele sorriso de menino travesso que Isabella conhecia bem:
— Prometo… que vou tentar.
Isabella bufou, sabendo que aquela promessa não valia muito.
Quando voltaram para o salão, a conversa estava animada. Aurora estava sentada ao lado de Antonella, gesticulando com as mãozinhas enquanto inventava histórias sobre como Benjamim tinha “falado o nome dela quatro vezes”.
Maria circulava entre os convidados, servindo café fresco para todos e oferecendo fatias generosas do bolo de fubá recém-saído do forno. Theo e Stefano estavam mais próximos da janela, trocando ideias animadas sobre um projeto que estavam desenvolvendo juntos.
Benjamim, acordado e cheio de energia, estava no colo de Stefano, que balançava o bebê com cuidado enquanto conversava com Theo:
— Eu realmente acho que abrir um consultório comunitário aqui perto pode fazer uma grande diferença… — dizia Stefano, ajeitando o pequeno nos braços.
Theo assentiu, sorrindo, com o olhar interessado:
— Sim, principalmente para os trabalhadores da fazenda e as famílias das redondezas. A demanda é enorme, Stefano.
Era um clima leve, de planos e risadas. Mas a tranquilidade durou apenas até Lorenzo e Isabella cruzarem a porta.
Um silêncio repentino caiu sobre a sala. Olhares cúmplices foram trocados entre Beatriz e Giulia, que estavam encostadas preguiçosamente nas cadeiras, com expressões suspeitosamente inocentes.
Beatriz foi a primeira a atacar.
— Olha só quem resolveu aparecer… — disse, arrastando o tom com um sorriso perigoso, balançando a colher de café como se fosse um microfone. — E com essa carinha de quem… digamos… estava numa reunião bastante produtiva.
Giulia quase caiu da cadeira de tanto tentar segurar o riso. Abaixou o rosto, fingindo tomar um gole de café, mas falhou miseravelmente.
— Produtiva? — completou, com um sorriso malicioso. — Pelo tempo que demoraram, eu chamaria de… reunião extraordinária.
Isabella congelou no meio do caminho, sentindo o rosto pegar fogo imediatamente. As bochechas coraram, o coração disparou e ela apertou o braço de Lorenzo com força, tentando, inutilmente, pedir que ele não respondesse. Mas era Lorenzo. E Lorenzo não sabia ficar quieto.
Ele cruzou os braços, encostando-se no batente da porta com aquele ar relaxado e um sorriso carregado de provocação:
— Bom… alguém precisava se dedicar a resolver… assuntos pendentes.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar
Devia ter um segunda livro sobre a vida da Isabela e os demais . Sobre eles morando no campo . Sobre a amizade e a cumplicidade deles . A Beatriz e a Giulia. Seria divertido. Pois foram personagens q trouxe humor alegria . Amei a Beatriz e a Júlia . Dei risadas gostosas lendo. A paixão as noites de Isabela e Lorenzo o amor quente e fugaz . O amor ardente deles. Queria ver tmb sobre o amor de Giulia e Theo de Beatriz e Stefano....