Vivian
A casa de Alice tinha o aconchego que a mansão dos Braga jamais oferecera. Quadros com fotos de viagens, flores frescas na mesa de centro, o cheiro de bolo assando na cozinha - tudo respirava vida. Era como se cada canto tivesse uma lembrança para contar, diferente da frieza impecável da mansão, onde o silêncio sempre reinava absoluto.
Vivian, encolhida no sofá com uma manta sobre os ombros, permitiu-se um raro luxo: não ser forte. O mundo lá fora seguia em movimento, mas ela ficou imóvel, deixando a tristeza pesar sobre o peito como um cobertor frio. Chorou até não restarem mais lágrimas.
Quando o silêncio se tornou insuportável, puxou o notebook. O saldo bancário piscava na tela: pouco mais de sete mil reais. Uma quantia que evaporaria em semanas se não fosse cuidadosa.
- Não dá pra me dar o luxo de ficar parada… - murmurou, abrindo a pasta com seu currículo atualizado.
Começou a disparar e-mails. Grandes empresas, consultorias internacionais, até aquelas que, em anos anteriores, já haviam feito propostas generosas para tirá-la do Grupo Braga. Ironia amarga: antes, recusara todas por amor a Eduardo. Agora, era justamente esse amor que a obrigava a recomeçar.
Estava nesse ritmo quando Alice entrou em casa como um furacão, jogando a bolsa pra um lado, os sapatos de salto pro outro, e se jogou no sofá ao lado da amiga.
- Ah, você não vai acreditar! Consegui juntar uma turma pra hoje. Vai ser ótimo! - anunciou, com entusiasmo contagiante.
Vivian ergueu os olhos, surpresa.
- Como assim, Alice? Você organizou uma festa?
Alice sorriu, culpada e cúmplice ao mesmo tempo.
- Claro que organizei! Você achou mesmo que ia passar o dia escondida em casa? Amiga, você acabou de renascer. E aniversários atrasados também merecem bolo e música.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor